Coluna

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Janeiro aponta dificuldade para superávit da balança em 2001

O resultado da balança comercial nas quatro primeiras semanas de janeiro, com déficit de US$ 544 mi, mostra que o governo poderá ter dificuldades para atingir um superávit comercial neste ano. Para economistas do mercado ouvidos pela Agência Estado, não pelo número em si, dado o curto período de análise e as demais influências que ainda estão por acontecer até o final do ano, mas pelo fato de que o resultado deste início de ano comprova a ainda forte correlação entre o crescimento econômico e o aumento das importações no País."Os números de janeiro deixam bem clara essa correlação entre crescimento e importações", confirma o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, lembrando que os maiores aumentos no lado das importações estão nos bens de capitais, matérias-primas e insumos. No cenário traçado pela maioria dos economistas, haverá crescimento tanto das importações quanto das exportações, uma realidade presente já há algumas semanas. Mas acreditam que o maior peso, na esteira do crescimento doméstico, fique mesmo por conta do primeiro grupo. "O aquecimento econômico não se refletiu em aumento dos preços domésticos, mas sim no aumento das importações. Essa é uma pressão que está aí", comenta o economista-chefe do Inter American Express, Marcelo Allain. Os resultados apresentados hoje pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior reforçam a tese: para um crescimento de 20,5% da média diária das exportações em relação a janeiro do ano passado, as importações cresceram 33,4%. Reposição de estoques à parte, nenhum economista consultado pela Agência Estado acredita no superávit de US$ 1 bi que o governo tem como estimativa para o final de 2001. E o déficit de janeiro, praticamente o dobro do que esperava a maior corrente do mercado, está levando alguns economistas a repensarem para baixo as suas projeções. "O zero a zero já seria um ótimo resultado com esse cenário, mas os números recentes mostram que nem a isso a balança pode chegar", comenta Odair Abate. Outra visão - Já a coordenadora da Unidade de Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Maria do Perpétuo Lima, considera que o déficit comercial da balança é alto, mas não justifica uma piora das previsões para este ano."É um déficit alto sim, determinado basicamente pelas importações", disse a economista. "Mas não dá para, a partir daí, acharmos que o resultado da balança comercial vai ser ruim. Temos que esperar mais dois ou três meses para acompanhar o desempenho das importações", afirmou. De acordo com ela, o desempenho fraco das exportações no período já era esperado por questões sazonais e as importações não são sazonais. Maria do Perpétuo observou também que alguns setores têm muita dificuldade para substituir importações. "O Sindipeças, por exemplo, explicou que em caso de mudança para um novo modelo de produção, não se tem escala para produzir componentes aqui", disse.

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