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Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Japão ameaça ir à OMC contra EUA

O governo dos Estados Unidos tem até esta quarta-feira para decidir se aplicará novas taxas de importação ao aço. Nos últimos dias, porém, a comunidade internacional intensificou sua pressão para evitar o pior. Nesta segunda-feira, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão informou que o Japão vai considerar a possibilidade de entrar com uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) se os EUA impuserem novas tarifas sobre as exportações japonesas de aço, segundo informou o Kyodo News. Os japoneses, até então, evitavam dar declarações sobre as posições americanos no mercado externo.O vice-ministro Katsusada Hirose disse esperar que o presidente dos EUA, George W. Bush, tome uma decisão adequada em relação à recomendação de tarifas da Comissão Internacional do Comércio dos EUA. A comissão norte-americana chegou a pedir tarifas de até 40% para impulsionar os fabricantes de aço dos EUA. Sanções comerciais são cogitadas também por países europeus. Caso os EUA mantenham a decisão de taxar a importação do aço, os norte-americanos poderão se preparar para enfrentar as mesmas dificuldades para entrar no mercado europeu. O Brasil e a Coréia do Sul adotaram discursos semelhantes ao dos europeus. No Itamaraty, as promessas são de responder as barreiras norte-americanas com mais barreiras.Brasília ainda questiona a legalidade da proposta de Washington de deixar os produtos originários do México e do Canadá, seus parceiros no Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), fora da nova taxação. Segundo assessores do governo norte-americano, Washington poderá aliviar mexicanos e canadenses da nova tarifa, o que, na avaliação de especialistas, provocaria uma discriminação entre esses países e as demais exportadores de aço.Já os norte-americanos se defendem como podem, insistindo que não irão violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que apenas estarão salvando suas indústrias da falência. Diplomatas dos Estados Unidos argumentam que as normas internacionais permitem que ospaíses coloquem salvaguardas temporárias todas as vezes que suas indústriais estiverem sendo prejudicadas por importações. Na semana passada, o representante de comércio da Casa Branca, Robert Zoellick, lembrou que países como o Brasil, Japão e Coréia também já adotaram medidas similares para proteger suas indústrias. Ele ainda ressaltou que por muitos anos o setor siderúrgico na Europa recebeu ampla proteção. RiscoAs ameaças dos vários países pode ter efeitos não apenas nocomércio de produtos siderúrgicos, mas também na própria habilidade da OMC de ser o ponto focal para solucionar "pacificamente" as disputas comerciais internacionais. "De que vale uma organização que tem como missão solucionar as disputas comerciais de forma legal se os países decidem fazer justiça com suas próprias mãos", questiona um consultor da OMC. Uma das preocupações da OMC é de que, em um cenário de crise internacional, a proliferação de barreiras possa agravar ainda mais a situação econômica mundial. Se no cenário internacional a pressão é intensa, nos Estados Unidos o cenário não é diferente. A administração Bush é cobrada por sindicatos e companhias siderúrgicas a cumprir uma promessa de campanha: aumentar a proteção ao aço norte-americano. A promessa acaba tendo um valorainda maior neste ano, quando ocorrerá as eleições para o Congresso e os republicanos não querem ser acusados de não salvar empregos. "Não gostaria de estar na pele de Bush nesse momento", reconhece um diplomata latino-americano na OMC.

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