Japão busca fim de décadas de deflação

País enfrenta uma corrosiva mistura de queda de preços e fraco crescimento nos últimos 20 anos

Reuters

17 de agosto de 2012 | 11h28

O Japão ofereceu nesta sexta-feira sua indicação mais forte de que enxerga um caminho para sair da deflação no ano que vem, depois de enfrentar uma corrosiva mistura de queda de preços e fraco crescimento econômico durante as duas últimas décadas.

A avaliação, parte das estimativas de meio de ano do governo, pode aliviar a pressão política sobre o banco central para um iminente afrouxamento de política, com o objetivo de controlar a alta dos preços.

Mas economistas ainda preveem que a terceira maior economia do mundo enfrente dificuldades nos próximos trimestres se a demanda global continuar a apresentar problemas.

"A economia do Japão deve se recuperar moderamente devido à robusta demanda privada", informou o governo na previsão, alertando que qualquer nova alta do yen e a desaceleração global apresentam riscos a uma economia dependente de exportações.

O governo estima que o Produto Interno Bruto (PIB) real irá crescer 1,7% no ano fiscal que começa em abril de 2013, ante alta esperada de 2,2% no atual ano comercial, após crescimento zero no ano passado.

As previsões estão em linha com a projeção do Banco do Japão, o banco central do país, divulgada no mês passado e com a estimativa de analistas consultados pela Reuters em julho.

Com a atividade recuperando-se, embora modestamente, o governo espera que o índice de preços ao consumidor geral suba 0,2% neste ano fiscal, o que marcaria o primeiro aumento em quatro anos, e cerca de 0,5% no ano fiscal 2013/14.

Desde um estouro da bolha imobiliária no início da década de 1990, os preços ao consumidor no Japão têm permanecido entre a estabilidade e o território negativo, a não ser por alguns momentos de avanço em 1997 e 2008, devido a altas dos impostos de vendas e preços maiores de commodities, respectivamente.

Entretanto, alguns analistas disseram que as projeções do governo foram otimistas, acrescentando que o banco central provavelmente enfrentará renovados pedidos de mais estímulo monetário se a performance econômica não melhorar como esperado.

"O governo determinou uma meta bastante alta para si mesmo ao projetar um crescimento forte do PIB nominal", disse o economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute Yoshiki Shinke.

"A estimativa está perto daquela do Banco do Japão. Mas uma vez que a economia comece a ficar abaixo das previsões, o banco central com certeza ficará sob pressão para aliviar a política de novo."

Na base nominal, que não é ajustada à inflação, o governo previu que o crescimento econômico irá superar o crescimento real no próximo ano fiscal pela primeira vez desde 1997, conforme os preços começam a subir.

O Japão deverá alcançar um crescimento nominal do PIB de 1,9% no ano fiscal de 2013, superando o crescimento real pela primeira vez em 16 anos, sinalizando que o fim da deflação está próximo.

O setor privado estima crescimento de cerca de 1,4%. A divergência nas projeções pode refletir a esperança do governo de convencer o público de que a economia foi forte o suficiente para enfrentar uma alta planejada nos impostos de vendas, disseram analistas.

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