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Diego Azubel
Diego Azubel

Japão e China fazem acordo para reduzir uso do dólar

Banco oficial japonês poderá emitir títulos em yuan; países não estabeleceram data para iniciar o convênio 

Agência Estado,

25 de dezembro de 2011 | 12h49

Os governos chinês e japonês revelaram, neste domingo (dia 25), um pacote inovador de acordos financeiros elaborados para estreitar a ligação entre a segunda e a terceira maiores economias do globo, em uma iniciativa que pode elevar o status do yuan para o de uma divisa internacional e solucionar as dificuldades que as empresas com sede no Japão tinham para seus negócios na China. As diretrizes visam ainda reduzir o uso do dólar norte-americanos nas trocas cambiais entre os dois países, possibilitando limitar o papel da moeda dos EUA na região de maior ritmo de expansão do mundo.

Os acordos incluem um plano para que uma entidade ligada ao governo japonês venda bônus denominados em yuans - a moeda chinesa - na China, o que representa um impulso para os esforços de Pequim de aprofundamento do mercado doméstico de capitais.

Outras medidas foram elaboradas para facilitar que as companhias convertam as moedas japonesas e chinesas diretamente, sem que seja necessário cumprir a etapa intermediária de conversão para o dólar, o que é a prática habitual. Cerca de 60% das trocas cambiais entre o Japão e a China são liquidadas financeiramente em dólares norte-americanos, de acordo com informações de uma autoridade do governo japonês que explicou os termos do acordo em entrevista.

A mudança ocorre em um momento em que a China tem manifestado ambições de conquistar um papel maior de sua moeda nos mercados globais, especialmente diante das crescentes dúvidas dos investidores sobre o frágil euro e frente às preocupações sobre o constante enfraquecimento do dólar.

O pacote de medidas foi formalizado pelo primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, e o premiê japonês, Yoshihiko Noda - que viajou a Pequim - deve ajudar ainda mais nesse propósito.

Efeito simbólico

É pouco provável que os acordos tenham efeito imediato significativo e, por ora, podem ser apenas simbólicos. Os governos não anunciaram um prazo para a implementação dos itens previstos no acordo. E enquanto a China mantiver controles restritos sobre a conversibilidade de sua moeda e em relação aos investimentos em sua economia, haverá limitações para que o uso do yuan cresça internacionalmente.

Ainda assim, os acordos são extremamente importantes, diante das recentes tensões entre a China e o Japão, que incluíram um prolongado embate diplomático há apenas um ano sobre uma disputa territorial, além de ácidos comentários de Noda e de seus assessores, no início deste ano, sobre as preocupações com a ameaça militar da China.

Enquanto a China fechou acordos com outros países para encorajar o investimento em seu mercado de bônus e para estimular a conversibilidade do yuan para outras moedas, esse pacto com o Japão parece ser o pacote bilateral mais amplo fechado até o momento. As iniciativas sugerem que os dois líderes podem agora estar vendo a necessidade de deixarem as diferenças políticas de lado para se focarem no fortalecimento de suas economias, particularmente, em um momento em que a conturbada situação do endividamento europeu e a fragilização do crescimento global ameaçam a expansão da Ásia.

Um representante do governo do Japão disse que as autoridades dos EUA e da Europa foram notificadas sobre os planejados acordos.

Dívida japonesa em yuan

Especialistas afirmaram que a medida mais relevante anunciada neste domingo foi a do programa piloto que permitirá que o Banco para Cooperação Internacional do Japão (JBIC, na sigla em inglês para Japan Bank for International Cooperation), o órgão oficial do governo japonês que tem como objetivo fornecer apoio financeiro para investimentos no exterior, possa emitir bônus denominados em yuans no mercado continental chinês. Este ponto é parte de uma iniciativa ampla para alavancar os bônus denominados em yuans e ienes - a moeda japonesa - globalmente. No entanto, não foi fixado nenhum prazo e nem o tamanho da oferta de títulos do JBIC.

O JBIC será a primeira entidade de um governo estrangeiro autorizada a fazer isso. Ao dar o privilégio ao JBIC, analistas da China afirmam que a decisão não só representa um gesto de boa vontade para o estrategicamente importante vizinho asiático, como também mostra a ênfase de Pequim na questão da segurança, uma vez que isso representa um aprofundamento de seus mercados de capital ao permitir a atuação de um número maior de participantes globais.

Até o momento, o mercado doméstico de títulos da China - que movimenta mais de 20,1 trilhões de yuans (uma cifra equivalente a US$ 3,3 trilhões) em bônus de dívidas - tem sido vetado à participação de emissores estrangeiros. O mercado doméstico chinês é o segundo maior da Ásia, atrás apenas do mercado japonês.

Enquanto Pequim tem estimulado bancos comerciais estrangeiros e bancos centrais a comprarem títulos chineses, o Banco de Desenvolvimento da Ásia e a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial que apoia o desenvolvimento sustentável do setor privado, eram os únicos emissores estrangeiros de bônus em yuans. Esses organismos não têm ligação com governos estrangeiros.

Outra iniciativa deve estimular o crescimento as trocas cambiais entre yuans e ienes para ajudar as companhias a realizarem negócios com as moedas a custos transacionais mais baixos. Atualmente, a maioria das trocas de yuans e ienes é executada por intermédio do dólar. Por exemplo, se um banco comercial receber uma ordem para vender yuans e trocá-los por ienes, primeiramente, tem que vender a moeda chinesa e trocá-la por dólares e, na sequência, vender esses dólares para trocá-los por ienes. Eliminando o dólar desse processo, isso deve ajudar na redução dos custos de transação e diminuição dos riscos cambiais para as companhias, informaram autoridades japonesas.

Os governos do Japão e da China não planejam, porém, adotar essa diretriz imediatamente, mas só o fato de mostraram apoio ao mercado cambial de ienes-yuans deve ser suficiente para encorajar o setor privado a expandir esse mercado, afirmaram autoridades japonesas. Há demanda do investidor estrangeiro por essa troca direta, mas apreensões sobre a possibilidade de o governo chinês aplicar punições sobre essa estratégia mantinha vários grupos privados avessos a essa troca direta, afirmaram as autoridades japonesas. As informações são do The Wall Street Journal e da agência Dow Jones.

 

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