Japão já é o país mais endividado do mundo

Na maior crise desde o fim da 2ª Guerra Mundial, país deve duas vezes o seu PIB

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

O Japão vive a pior crise desde o fim da 2.ª Guerra Mundial e tem o crescimento cortado pela metade, diante da crise natural e nuclear que o país enfrenta. Os dados são da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ontem, a instituição rebaixou a perspectiva de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da terceira maior economia do mundo e alertou que o Japão já é o país mais endividado do mundo, com um buraco equivalente a 200% do próprio PIB.

Cidades inteiras terão de ser reconstruídas, depois do forte impacto do terremoto e tsunami. A falta de eletricidade ainda afeta o setor industrial e as exportações sofrem uma queda importante. Para completar o cenário negativo, a redução da renda obtida com o setor do turismo é a pior em 50 anos e milhares de estrangeiros deixaram o país.

Diante deste cenário, a constatação é a de que mais de 2% do PIB japonês será utilizado para reconstruir o país. Em 2011, a terceira maior economia do mundo deverá crescer apenas 0,8% e não mais 1,7%, como era previsto no início do ano.

As exportações em março despencaram e o superávit comercial foi reduzido em 79%. Empresas suspenderam suas produções e o setor automotivo foi obrigado a dar férias coletivas diante da queda de 27% nas vendas.

Se não bastassem os problemas internos, mais de 30 países adotaram medidas de restrição contra os produtos japoneses, temendo possíveis problemas de contaminação nuclear. Os consumidores de sushi em todo o mundo, por exemplo, abandonaram os fornecedores japoneses nas últimas semanas por conta da restrição.

De acordo com a OCDE, o impacto na produção poderá ser compensado com a necessidade de reconstrução do país e com os investimentos que serão realizados para recolocar o Japão de pé.

O problema é que outra crise estaria se desenvolvendo: a da dívida.

Atualmente, o Japão já tem uma dívida pública "sem precedentes" de mais de 200% do PIB, taxa que poderá se agravar diante da necessidade de reconstrução do país.

Na avaliação da OCDE, uma solução seria apelar para "uma maior solidariedade do povo japonês". Em outras palavras, aumentar os impostos. O governo local já anunciou o aumento da taxas de valor agregado de 5% para 8%.

A avaliação da entidade é de que, apesar da crise, o Japão vai superar a atual crise. Em 1995, o terremoto de Kobe custou US$ 110 bilhões. Na ocasião, o país se recuperou plenamente em apenas um ano.

Desta vez, o problema é o abastecimento de energia no país, profundamente afetado. Várias medidas já começam a ser estabelecidas para enfrentar o verão. Uma delas é um racionamento de energia, realizado pelo país conhecido por seus letreiros e pela dimensão eletrônica da sociedade.

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