Japão oferece ajuda a dekasseguis brasileiros

Estrangeiros foram os primeiros demitidos, e o governo japonês se[br]diz preocupado com as crianças; medidas devem sair em fevereiro

Ewerthon Tobace, BBC Brasil, Tóquio, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

O Japão promete lançar, a partir de fevereiro, um plano para ajudar os brasileiros que vivem no país e estão passando por dificuldades por causa da crise global.O governo anunciou a criação de um comitê, liderado pela ministra de População e Igualdade entre os Sexos, Yuko Obuchi, que deverá buscar saídas para amparar os dekasseguis. As principais preocupações demonstradas pelo governo são em relação ao trabalho, educação e bem-estar dos imigrantes brasileiros. Mas ainda não foi apresentada nenhuma medida concreta, com exceção da área de educação.O secretário-chefe e porta-voz do governo, Takeo Kawamura, afirmou que a situação já está difícil para os japoneses, por isso supõe que esteja pior para os estrangeiros. Segundo dados do Ministério do Trabalho, existem no Japão cerca de 170 mil brasileiros com contratos de trabalho temporário ou terceirizado. São esses trabalhadores as principais vítimas dos cortes nas empresas afetadas pela crise financeira.Os dekasseguis brasileiros formam a terceira comunidade estrangeira mais numerosa no Japão, atrás dos chineses e coreanos.Renato Onohara, 43, de Hamamatsu (Shizuoka), é um exemplo. Ele está sem trabalho desde o começo de novembro. Sua mulher, Maria Emília, também perdeu o emprego. Com um filho de sete anos, eles viram as coisas piorarem quando foram obrigados a deixar o alojamento da empresa para a qual trabalhavam. "A gente vem ao Japão com sonhos e metas e, de repente, tudo acontece ao contrário do que imaginávamos", lamenta a brasileira. A família vive agora da ajuda de outras pessoas e dorme num abrigo montado por uma igreja. "Vou todo dia à agência pública de emprego, mas está difícil. Tenho de concorrer com os japoneses. Nem bicos consigo arrumar", conta Renato. Ele está há 15 anos no país e diz que nunca viu uma situação tão caótica como a que os brasileiros enfrentam agora. A família Onohara foi ao Japão com o objetivo de juntar dinheiro para montar um negócio próprio. O sonho agora é mais simples: querem só dinheiro suficiente para voltar ao Brasil.A criação do comitê de apoio aos dekasseguis foi sugerida pelo primeiro-ministro Taro Aso em dezembro. Mas só agora saiu uma medida concreta. Aso disse estar preocupado com o crescente número de brasileiros que estão sendo demitidos das fábricas, principalmente dos setores automobilístico e de eletrônicos. Ele lembrou também que muitas famílias têm crianças em idade escolar. O Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão anunciou, nesta semana, também um pacote de medidas que beneficiam os filhos de imigrantes.Entre as ações estão a abertura de espaços educacionais em instalações públicas e o envio de professores assistentes para as escolas japonesas que aceitam brasileiros e peruanos - as principais nacionalidades entre os dekasseguis.

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