Japão poderá limitar gasto fiscal, diz premiê

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, sinalizou que o governo poderá limitar tanto quanto possível sua despesa fiscal no âmbito de um novo pacote de estímulo que pretende lançar para impulsionar a economia do país, tendo em vista o enfraquecimento do consumo e dos investimentos das empresas, bem como a valorização do iene. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Kyodo News. "É claro que nós teremos de considerar o novo gasto fiscal", disse Kan.

CLARISSA MANGUEIRA E LIGIA SANCHEZ, Agencia Estado

20 de agosto de 2010 | 10h28

Ele acrescentou que "é possível impulsionar a demanda e estimular a economia, sem depender de despesas fiscais". Kan citou como exemplo a flexibilização das regras do governo sobre a emissão de vistos para turistas chineses, uma política amplamente esperada para impulsionar as vendas do varejo no Japão.

O Ministro da Economia do Japão, Satoshi Arai, afirmou que o esperado pacote de estímulos do governo será mais eficiente se for implementado antes da economia perder força. Ele se recusou a oferecer detalhes sobre as medidas. "Temos de considerar o tempo certo para o novo pacote econômico à luz dos fatos de que tal programa costuma ser mais eficiente enquanto a economia ainda não perdeu completamente seu impulso", declarou Arai, em entrevista coletiva.

Mas o ministro não revelou qualquer detalhe do esperado pacote, dizendo que ele "não conversou sobre medidas econômicas concretas" com o primeiro-ministro Naoto Kan na reunião realizada antes da entrevista. "Troquei opiniões sobre as atuais condições econômicas com o primeiro-ministro e conversamos sobre o que é necessário para uma recuperação autônoma", contou Arai. Seus comentários foram feitos depois que um jornal japonês publicou que o novo pacote, previsto para ser anunciado no início do próximo mês, incluirá medidas como programas de emprego para jovens e ajuda a indústrias com políticas preservação do meio ambiente.

Quanto às atuais condições econômicas, Arai repetiu que, embora a economia esteja no caminho de uma recuperação sustentada, ele não pode descartar a possibilidade de uma estagnação, devido à recente valorização do iene e à desaceleração da economia no exterior. Junto com o pacote econômico, os mercados financeiros estão considerando a possibilidade de mais relaxamento monetário pelo Banco do Japão (BOJ, o banco central do país). Mas Arai não fez nenhum pedido direto para tal apoio econômico. "Claro que o governo e o banco central devem trabalhar juntos pela economia. Mas não tenho nada em especial por enquanto para pressionar o BOJ". As informações são da Dow Jones.

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