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Japão poderá limitar gasto fiscal em pacote de estímulo, diz premiê

Enfraquecimento do consumo e dos investimentos das empresas pode motivar medida  

Clarissa Mangueira e Ligia Sanchez, da Agência Estado,

20 de agosto de 2010 | 09h48

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, sinalizou que o governo poderá limitar tanto quanto possível a sua despesa fiscal no âmbito de um novo pacote de estímulo que pretende lançar para impulsionar a economia do país, tendo em vista o enfraquecimento do consumo e dos investimentos das empresas, bem como a valorização do iene, afirmou a agência de notícias Kyodo News.

"É claro que nós teremos de considerar o novo gasto fiscal", disse Kan, acrescentando, porém, que "é possível impulsionar a demanda e estimular a economia, sem depender de despesas fiscais". Ele citou como exemplo a flexibilização das regras do governo sobre a emissão de vistos para turistas chineses, uma política amplamente esperada para impulsionar as vendas do varejo no Japão.

Já o Ministro da Economia do Japão, Satoshi Arai, afirmou que o esperado pacote de estímulos do governo será mais eficiente se for implementado antes da economia perder força. Ele se recusou a oferecer detalhes sobre as medidas.

"Temos de considerar o tempo certo para o novo pacote econômico à luz dos fatos de que tal programa costuma ser mais eficiente enquanto a economia ainda não perdeu completamente seu impulso", declarou Arai, em entrevista coletiva. Mas o ministro não revelou qualquer detalhe do esperado pacote, dizendo que ele "não conversou sobre medidas econômicas concretas" com o primeiro-ministro Naoto Kan, na reunião realizada antes da entrevista.

"Troquei opiniões sobre as atuais condições econômicas com o primeiro-ministro e conversamos sobre o que é necessário para uma recuperação autônoma", contou Arai. Seus comentários foram feitos depois que um jornal japonês publicou que o novo pacote, previsto para ser anunciado no início do próximo mês, incluirá medidas como programas de emprego para jovens e ajuda a indústrias com políticas preservação do meio ambiente.

A posição de Arai de não comentar sobre pontos específicos do pacote não significa que tais medidas não serão incluídas, mas parece que se deve ao fato de que o primeiro-ministro ainda terá outras conversações com o ministro das Finanças do Japão, Yoshihuko Noda, e de os programas ainda não terem sido finalizados.

Câmbio

O Ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, afirmou que está observando o mercado de câmbio de perto, reiterando seus comentários recentes mesmo depois do dólar ter se aproximado da mínima em 15 anos no overnight em relação ao iene, de 84,72 ienes. A declaração sugere que o governo não está considerando nenhuma ação imediata para conter a alta da moeda japonesa.

"Estou observando o mercado de câmbio estrangeiro com grande interesse e continuarei acompanhando a movimentação do iene cuidadosamente", disse Noda, em entrevista coletiva.

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