Japão prevê melhora na economia a partir de 2013

Governo local espera encerrar o ciclo de deflação e de fraco crescimento que o país enfrenta há duas décadas

TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h08

O Japão ofereceu ontem indicação mais forte de que enxerga um caminho para sair da deflação em 2013, após enfrentar corrosiva mistura de queda de preços e fraco crescimento econômico nas duas últimas décadas.

A avaliação pode aliviar a pressão política sobre o banco central para iminente afrouxamento de política, com o objetivo de controlar a alta dos preços.

Economistas, porém, ainda preveem que a terceira maior economia do mundo enfrente dificuldades nos próximos trimestres se a demanda global continuar a apresentar problemas.

"A economia do Japão deve se recuperar moderadamente devido à robusta demanda privada", informou o governo na previsão, alertando que qualquer nova alta do yen e a desaceleração global apresentam riscos a uma economia dependente de exportações. O governo estima que o Produto Interno Bruto (PIB) irá crescer 1,7% no ano fiscal que começa em abril de 2013, ante alta esperada de 2,2% no atual ano comercial, após crescimento zero no ano passado.

Com a atividade recuperando-se, embora modestamente, o governo espera que o índice de preços ao consumidor geral suba 0,2% neste ano fiscal, o que marcaria o primeiro aumento em quatro anos, e cerca de 0,5% no ano fiscal 2013/14.

Desde o estouro da bolha imobiliária no início da década de 90, os preços ao consumidor no Japão têm permanecido entre a estabilidade e o território negativo, a não ser por alguns momentos de avanço em 1997 e 2008, devido a altas dos impostos de vendas e preços maiores de commodities, respectivamente.

Entretanto, alguns analistas disseram que as projeções do governo foram otimistas, acrescentando que o banco central provavelmente enfrentará renovados pedidos de mais estímulo monetário se a performance econômica não melhorar como esperado.

"O governo determinou meta bastante alta para si mesmo ao projetar crescimento forte do PIB nominal", disse o economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, Yoshiki Shinke. "A estimativa está perto daquela do Banco do Japão. Mas, uma vez que a economia comece a ficar abaixo das previsões, o banco central com certeza ficará sob pressão para aliviar a política de novo."

Na base nominal, que não é ajustada à inflação, o governo prevê que o crescimento econômico irá superar o crescimento real no próximo ano fiscal pela primeira vez desde 1997, conforme os preços começarem a subir. / REUTERS

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