Japão reage, Cuba afunda

O governo do Japão anunciou um orçamento de emergência de US$ 48,5 bilhões para iniciar a reconstrução e ajuda às famílias das áreas devastadas pelo terremoto. É o primeiro de outros que virão. Prevê-se para logo mais um estimado em US$ 25 bilhões. Os prejuízos estão estimados em US$ 300 bilhões.

Alberto Tamer, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

A tragédia levou a OCDE a reduzir a previsão de crescimento do PIB de 1,7% para 0,8% este ano. Mas seu secretário-geral Angel Gurria afirmou, em Tóquio, ao apresentar o relatório atualizado sobre o país, na sexta-feira, que não acredita que Japão entre em recessão. A economia vinha se recuperando antes do terremoto, e os investimentos que estão sendo agora feitos levaram a OCDE a estimar um crescimento de 2,3% em 2012. É mais que a previsão anterior de apenas 1,3% Ou seja, a economia japonesa vai crescer mais pela reação à tragédia.

Margem de manobra. O governo tem espaço para aumentar os impostos sem afetar muito a economia. Já se espera para logo uma elevação do imposto sobre consumo de 5% para 8%. Não é muito. Não Europa é 20%. Será contrabalançado pelo aumento do emprego e da demanda que, de tão baixa, estagnou a economia por mais de dez anos. O maior desafio é o alto endividamento, 200% do PIB. Aqui a margem de manobra é menor. O governo prometeu esta semana que não vai emitir e vender mais títulos. Uma das saídas é usar parte das reservas de US$ 1 trilhão e corte de gastos em outras áreas sociais.

O que se prevê para logo é aumento de impostos cujos efeitos negativos sobre a demanda podem ser atenuados pelo aumento do emprego e da renda decorrente dos novos investimentos para reconstrução do país.

Um fato importante é que quase toda a dívida do governo é em yuans, financiada pelo alto nível de poupança das famílias que consomem pouco e poupam muito. O Japão nacionalizou sua dívida. O desafio é fazer que o povo consuma mais, mesmo pagando um imposto ligeiramente mais alto. Isso está nas previsões da OCDE que estima uma retomada econômica em 2012.

A outra tragédia. Ao lado da tragédia japonesa, uma outra se desenrolou mais perto de nós. Foi a farsa da reunião do Partido Comunista de Cuba onde 11 milhões de pessoas vivem na distribuição socialista da pobreza e na miséria em que Fidel Castro as lançou há 52 anos. Fidel colocou no seu lugar, na chefia do partido, seu irmão Raul, que praticamente está no poder desde 2008. Nada mudou desde então, além de autorizar, acreditem, que o povo comprasse fertilizante para cultivar as hortas ou que sapateiros tivessem uma sapataria legalizada! E não vai mudar nada pelo menos agora, pois no discurso de posse, Raul afirmou que reformas são necessárias, mas só virão nos próximos cinco anos... Humor negro. Como se o povo cubano na sua miséria tivesse tempo para esperar mais do que já esperou....

Histórias interessantes. Fidel e Raul, ou outro Castro qualquer, deveriam fazer como Bóris Yeltsin. Ao visitar e ficar abismado com a exuberância de um supermercado em Nova York, cheio de gente comprando de tudo, comparou com o seu país (a Rússia) e disse: "O comunismo fracassou".

Outra história. Eu vi Fidel numa entrevista para a TV francesa, em 1998. Quando o repórter o provocou perguntando se não pensava em se aposentar, afirmou, olhando firme para a câmera: "Um revolucionário nunca se aposenta!" E continua aí...

Fidel vai repetir Stalin, só sai morto e deixando seu povo na miséria.

Mas Japão e Cuba?! Por que comparar? Pela reação dos governos democráticos e livres como o Japão, e governos de ditadores eternos como Cuba, Síria e Líbia, que se sucedem em gerações eternas sufocando seus povos na miséria e na pobreza enquanto outros países crescem. O Japão supera a tragédia. Já a tragédia cubana onde a alimentação é racionada - mas o governo não permite que as pessoas plantem para se alimentar e vendam o que sobra porque a terra é o "socialismo" - continua. Passa fome em meio à terra fértil que é do Estado. Só falta entender por que o povo não reage.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.