Japão tem queda histórica na indústria e mais 27 mil demissões

Produção caiu 9,6% em dezembro; NEC e Hitashi demitirão 27 mil.

Ewerthon Tobace, BBC

30 de janeiro de 2009 | 09h51

O governo japonês anunciou que a produção industrial em dezembro de 2008 teve uma queda histórica de 9,6% em relação ao mês anterior. Segundo o ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, esta foi a maior contração já registrada desde 1953, quando o levantamento começou a ser feito pelo governo.As más notícias na segunda maior economia do mundo vieram também do mercado de trabalho. Em dezembro, o índice de desemprego teve um aumento de 0,5 ponto percentual, e chegou a 4,4%. Segundo o Ministério do Interior e Comunicações, este é o maior aumento mensal no índice desde março de 1967.A situação tende a piorar com a notícia de que grandes empresas continuam planejando cortes. Nesta sexta-feira, a NEC, maior fabricante de computadores do Japão, anunciou a demissão de 20 mil funcionários, e a Hitachi anunciou corte de 7 mil empregados nas fábricas de eletrônicos e de equipamentos para veículos. "É uma situação sem precedentes e a queda na produção industrial parece que vai continuar", admitiu à imprensa local o ministro japonês para Políticas Econômicas e Fiscais, Kaoru Yosano.Exportações em baixaA produção industrial já vinha caindo. Em novembro, a queda foi de 8,5%.No acumulado do ano, o país também registrou contração pela primeira vez em seis anos. Em 2008, houve uma queda na produção de 3,4% em comparação com 2007.Desde 1998, o Japão não registrava diminuição da produção industrial em todos os setores. Um dos mais afetados foi o de eletrônicos, que caiu 18,8%.Segundo o relatório, divulgado nesta sexta-feira pelo governo, o culpado por esta queda é a valorização do iene. Por causa do fortalecimento da moeda japonesa, as grandes empresas viram os lucros despencarem nos últimos meses de 2008.A Sony, por exemplo, terá sua primeira perda de lucros em 14 anos. Até o fim do ano fiscal de 2008, que se encerra em março próximo, a fabricante de eletrônicos prevê uma perda operacional de US$ 2,91 bilhões e uma perda líquida de US$ 1,68 bilhão.Para se manter no mercado, a Sony anunciou cortes de 16 mil funcionários no mundo todo e o fechamento de cinco ou seis fábricas.A previsão do ministério da Economia também é pessimista para os meses de janeiro e fevereiro. A estimativa é de queda na produção industrial de 9,1% e 4,7%, respectivamente.Mais desempregoO índice de desemprego também deve continuar subindo. O de dezembro (4,4%), por exemplo, já foi maior do que o esperado pelo mercado, que previa um aumento para 4,1%.No total, o Japão possui hoje cerca de 2,7 milhões de pessoas sem emprego, um aumento anual de 390 mil desempregados. No acumulado do ano, o índice ficou em 4%, um acréscimo de 0,1 ponto em relação ao ano anterior. Segundo o governo, é o primeiro aumento em seis anos.Governo na berlindaDesesperado com a situação, o impopular governo de Taro Aso tenta buscar saídas para conter a crise. Nesta semana, foi anunciado que o Japão injetará fundos públicos em empresas privadas, especialmente aquelas afetadas pela crise, através de entidades de crédito.Esses recursos serão usados para cobrir até 80% das possíveis perdas que os bancos japoneses possam registrar.Além disso, foi aprovado também nesta semana pelo parlamento um pacote emergencial, que prevê a distribuição de um subsídio às famílias japonesas no valor de 12 mil ienes (cerca de 130 dólares) por pessoa. O objetivo é estimular a população a gastar.A conta que será paga pelo governo com essa medida chega a US$ 22,5 bilhões, e ela não é vista com bons olhos pela oposição e nem por parte da população. Os críticos acham que o dinheiro poderia ser aproveitado em outras áreas.A popularidade do primeiro-ministro, aliás, só despenca, mas ele se recusa a renunciar ao cargo ou a convocar novas eleições. Uma pesquisa do jornal Mainichi, divulgada recentemente, mostra que 65% dos japoneses desaprovam a performance do premiê. Em dezembro, a taxa era de 58%.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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