Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Japão vai continuar a intervir para conter iene

Depois da primeira intervenção no câmbio em 6 anos, primeiro-ministro diz que voltará a agir, 'se necessário' para impedir valorização da moeda

, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

TÓQUIO

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, deu ontem sinais de que as autoridades do país continuarão intervindo no mercado para conter a alta do iene, com a queda da confiança do setor manufatureiro do país destacando a ameaça do câmbio à frágil recuperação econômica.

Uma pesquisa mensal da Reuters mostrou que a confiança do setor manufatureiro japonês caiu em setembro na comparação mensal, o primeiro declínio em quase um ano, em meio às dificuldades das empresas com o iene na máxima em 15 anos em relação ao dólar.

Respondendo a preocupações sobre a valorização do iene, o Japão interveio no mercado pela primeira vez em seis anos na quarta-feira, para enfraquecer a moeda. "Se rápidas flutuações do iene prejudicarem o apetite das empresas japonesas por investimentos domésticos e as levarem para fábricas fora do país, isso pode piorar as condições de emprego e afetar o combate à deflação", afirmou o primeiro-ministro japonês. "Tomarei ações decisivas, se necessário."

Alguns operadores de câmbio acreditam que a possibilidade de outra rodada de intervenção aumentará se o dólar voltar a cair abaixo de 85 ienes. Ontem, no fim do dia, o iene estava a 85,81 por dólar.

Fontes disseram que o Banco do Japão (BoJ) não vai enxugar capital que entrará na economia como resultado das vendas do governo, indicando que planeja usar o dinheiro como ferramenta monetária para aumentar a liquidez da economia.

O presidente do BoJ, Masaaki Shirakawa, reiterou que a instituição está pronta para mais ações de política monetária, pois precisa prestar mais atenção aos riscos para a economia doméstica. A afirmação foi ecoada pela declaração do primeiro-ministro, de que seu governo está pronto para tomar mais "medidas decisivas" no câmbio.

"Em relação à direção da política monetária, como as incertezas (sobre as perspectivas econômicas) são grandes, o BoJ vai tomar medidas políticas no tempo e modo apropriados, se julgar necessário, após examinar cuidadosamente o curso futuro da economia e dos preços", disse Shirakawa em um evento em Tóquio.

Na reunião de setembro do BoJ, o conselho de política monetária decidiu deixar a meta para a taxa de juro básica em 0,1%, onde está desde dezembro de 2008, e não tomou mais medidas de afrouxamento não convencionais. Mas, pressionado pelo governo e pelos mercados para conter a valorização do iene, em 30 de agosto o BoJ expandiu o programa especial de empréstimos em reunião emergencial.

Ontem Motohisa Ikeda, um dos dois vice-ministros de Finanças do Japão, afirmou que o governo não vai ficar sem o dinheiro necessário para continuar intervindo no mercado de câmbio, contrariando especulações de que os esforços para enfraquecer o iene são insustentáveis.

Ikeda também minimizou críticas da Europa e dos EUA à intervenção japonesa no câmbio. Segundo ele, não houve reação negativa das autoridades estrangeiras. /DOW JONES NEWSWIRES

Riscos

NAOTO KAN

PRIMEIRO-MINISTRO JAPONÊS

"Se rápidas flutuações do iene prejudicarem o apetite das empresas por investimentos domésticos, isso pode piorar as condições de emprego e

afetar o combate à deflação"

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