Japão visa crescimento anual de 2% nos próximos 10 anos

Estratégia do governo será concentrar investimentos em negócios emergentes, como ambiente e saúde

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

30 de dezembro de 2009 | 12h38

O novo governo do Japão divulgou nesta quarta-feira,30, um esboço de estratégia de crescimento de médio a longo prazo que visa crescimento anual médio, ajustado pela inflação, de mais de 2% nos próximos 10 anos, ao se concentrar em áreas de negócios emergentes, tais como ambiente e saúde.

 

O objetivo é ambicioso para uma economia que nos últimos anos cresceu até 2% e chegou a se contrair 3%. O plano também prevê que o Japão supere a deflação, que atrapalha o crescimento econômico: ele espera que o Produto Interno Bruto nominal cresça, em média, 3% até o ano fiscal que termina em março de 2021, sugerindo que prevê inflação amena na década adiante.

 

"A chave para o crescimento econômico futuro é se podemos criar demanda, ao mesmo tempo que consideramos o que o povo japonês quer", disse o primeiro-ministro, Yukio Hatoyama em entrevista coletiva conjunta com o vice-primeiro-ministro, Naoto Kan. "Fomos capazes de elaborar uma estratégia que nos permite aproveitar nossos pontos fortes, tais como ciência e tecnologia, para ajudar a economia a crescer."

 

Mas o plano do governo do Partido Democrata não diz como vai financiar as medidas necessárias para gerar crescimento. A capacidade de Tóquio de gastar com novas medidas é limitada pela já elevada dívida - a relação dívida PIB do país é a maior do mundo industrializado, em cerca de 180%.

 

Indagado sobre se o governo vai elevar o imposto sobre vendas do Japão, atualmente em 5%, para aumentar a receita, Kan descartou a possibilidade. "Antes que peçamos às pessoas para arcar com um fardo maior de imposto, devemos reduzir o desperdício de gastos do orçamento e seguir adiante com reformas", disse ele. "É muito cedo para começar a debater uma elevação no imposto de consumo."

 

Hatoyama disse que o governo planeja finalizar a estratégia de crescimento até junho.

 

O plano pede aumento no PIB do país para 650 trilhões de ienes, ou US$ 7,05 trilhões, até o ano fiscal 2020, dos atuais 473 trilhões de ienes.

Para conquistar isso, o plano afirma que os formuladores de política devem se concentrar em seis grandes áreas que devem estimular crescimento adicional: ambiente; saúde; comércio e negócios com outros países asiáticos; turismo e revitalização das economias regionais do Japão; ciência e tecnologia; além de mais treinamento de emprego e maiores oportunidades de emprego para grupos como recém-aposentados.

 

O governo visa gerar mais de 4 milhões de empregos combinados em ambiente, saúde e turismo até 2020, afirma o plano. O investimento do setor público e privado em pesquisa relacionada a ciência e tecnologia e desenvolvimento será ampliado em mais de 4% do PIB. O governo quer reduzir a taxa de desemprego para menos de 4% durante os próximos quatro anos - em novembro, a taxa estava em 5,2%. As informações são da Dow Jones.

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