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Japão volta a atrair imigrante brasileiro

Fluxo de imigração, que tinha recuado, voltou a subir com medidas para reanimar a economia

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Joaquim Matsuo Goto, de 67 anos, mandou no ano passado 180 mil ienes (aproximadamente R$ 6 mil) para o irmão cuidar da casa que tem em Guarulhos, na esperança de que ainda voltará a viver no Brasil. Em fevereiro de 1990, ele decidiu se mudar para a província de Aichi, no Japão, com o objetivo de formar os dois filhos. Desde então, trabalha em uma indústria de engrenagens, onde hoje é supervisor.

“Recentemente, aumentou bastante o número de brasileiros aqui. Tenho visto um pessoal novo”, disse Goto, por telefone. O movimento, constata, é o inverso do verificado nos últimos anos. O consulado do Japão no Brasil confirma esse aumento na procura por vistos de trabalho. A crise de 2008 e 2009, que praticamente parou o Japão, e o tsunami de 2011, com ameaça de acidente nuclear no País, influenciaram o retorno dos decasséguis ao Brasil.

O dado mais atual do Itamaraty, de 2013, aponta para um total de 180 mil brasileiros vivendo no Japão. Em 2008, eram 312 mil. A volta dos brasileiros ao país natal foi motivada pela escassez de empregos no país asiático, principalmente na indústria. Agora, a crise na economia brasileira e as medidas do governo japonês para reaquecer a atividade começam a mudar lentamente esse fluxo.

Os imigrantes continuam com o sonho de ficar um tempo fora para comprar uma casa e abrir um negócio no Brasil. “A economia do Brasil tem altos e baixos. No mundo todo não está fácil”, afirma Goto, que ainda pensa na volta. “Lembro da época em que o preço das coisas era um de manhã e outro, à tarde”, disse, em referência ao período de inflação galopante no País.

Não só na indústria, maior empregadora de mão de obra estrangeira no Japão, estão as oportunidades. O goleiro de futsal Guilherme Kuromoto, de 29 anos, trabalha como jogador e professor numa escolinha de futebol do clube italiano Milan, como forma de conseguir colocar em prática seus sonhos de abrir o próprio negócio no Brasil. Natural de Londrina, filho de pai japonês e mãe italiana, Kuromoto morou na Itália por 10 anos antes de se mudar para Fuchu, perto de Tóquio. “Aprendi com o japonês que é preciso diversificar os negócios”, afirma.

Ele pretende, no futuro, abrir uma empresa de importação e exportação e também trazer jogadores do Japão para ter a experiência com o futsal brasileiro. “Não pretende voltar (para o Brasil) no momento. O Japão me oferece condições para planejar meu futuro”, disse.

Segundo ele, a maior parte dos brasileiros que estão apostando na economia nipônica para melhor de vida são reincidentes porque já viveram no país por algum tempo e voltaram ao Brasil pela frustração com a economia ou pelo medo do tsunami.

Frustração. Outros buscam no exterior oportunidade para ampliar os negócios em meio à frustração com a recessão econômica do Brasil. Robson Carlo Mello de Oliveira levou para Miami, nos Estados Unidos, a ferramenta de venda de tíquetes que permite usar o cartão de crédito nas catracas dos estádios.

“Por mais competitivo que seja o mercado americano, ainda tem monopólio e é aí que vemos oportunidade de crescer”, afirmou. A empresa já fechou com um clube para a venda de ingressos nos estádios e está prestes a anunciar um novo parceiro este mês. Oliveira diz pensar “seriamente” em levar toda a família do Rio de Janeiro para os Estados Unidos para fugir da violência e ampliar ainda mais os negócios no exterior.

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