Japonesa Nikon abre subsidiária no Brasil e estuda fabricação local

Fabricante de máquinas fotográficas pretende elevar participação nas vendas de câmeras amadoras de 1% para 15%

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

A Nikon, segunda maior companhia mundial do ramo de máquinas fotográficas e acessórios, estuda instalar uma fábrica na Zona Franca de Manaus, onde já estão várias de suas concorrentes, como Sony e Kodak. O grupo japonês, até agora representado por distribuidores autorizados, decidiu assumir o negócio local e criou oficialmente ontem a Nikon do Brasil, sua primeira subsidiária na América do Sul.

Com aporte inicial de R$ 17,8 milhões, a Nikon passa a vender toda a gama de produtos da marca, com câmeras que custam de R$ 299 (Coolpix) a R$ 50 mil (D3S), além de lentes, acessórios e telescópios.

"Vamos comercializar toda nossa linha de cerca de 300 itens", informou Koji Maeda, presidente da filial brasileira. A empresa, com sede na região da avenida Paulista, no centro de São Paulo, também assumiu a assistência técnica dos produtos e contratou 45 funcionários.

A decisão sobre a fábrica local deve ocorrer no segundo semestre. "Vai depender da demanda para ter custo competitivo", afirmou Maeda. Ele adiantou que, se o projeto for aprovado, a prioridade será a produção de modelos mais baratos. Os mais caros continuarão sendo importados.

Segundo a empresa de pesquisa GfK, os brasileiros consomem cerca de 3,5 milhões de câmaras por ano no mercado formal. Juntando o informal, esse número chega a 7 milhões de unidades. "Com o crescimento da economia local e os eventos da Copa e da Olimpíada, acreditamos que o mercado vai crescer em média 14% ao ano nos próximos quatro anos", disse o gerente de marketing e vendas da empresa, Joel Garbi.

A Nikon, marca presente em mais de 80 países, detém apenas 1% das vendas formais de câmeras compactas e 17% das profissionais. O objetivo da marca com a operação brasileira é responder por 15% e 40% desses mercados, respectivamente, em até três anos.

Garbi acredita que o principal atrativo da marca será a garantia dada aos produtos e os serviços. O grupo espera vender o equivalente a R$ 100 milhões no primeiro ano de operação e inicia hoje uma campanha de marketing para divulgar a marca.

Além de lançamentos simultâneos, a empresa deve oferecer futuramente cursos para fotógrafos, programa similar ao que existe nos EUA e no Japão, chamado de Universidade Nikon.

Os produtos serão importados dos EUA, com manuais em português, mas a produção sairá das fábricas asiáticas do grupo, como China e Tailândia. A ideia é abrir vários pontos de venda pelo País. No mundo todo, a Nikon fatura US$ 10,5 bilhões e, em vendas, só perde para a Canon.

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