JBS ampliará capacidade no Brasil apesar de aperto nas margens

Maior empresa do setor de bovinos domundo, o JBS jogará pesado contra seus competidores no Brasil,ampliando em 25 por cento sua capacidade de abate no país até ofinal de 2008, mesmo em um mercado com oferta apertada dematéria-prima e margens em queda, disse o presidente da empresanesta quinta-feira. "Teremos capacidade de abater mais 5 mil bois por dia noBrasil até o final do ano", declarou Joesley Mendonça Batista,em entrevista para comentar os resultados do JBS. Com aampliação, a empresa poderia abater até 25 mil cabeças/dia. O JBS teve prejuízo de 364,4 milhões de reais no segundotrimestre, com balanço fortemente afetado por aspectoscontábeis [ID:nN31281176]. Não fosse isso, a empresa poderiater tido lucro de 136,6 milhões de reais no período. Mas a companhia, com atuação nos Estados Unidos, Austrália,Argentina e Itália, registrou também uma expressiva redução damargem Ebitda no Brasil, para 4,9 por cento, contra 14,7 porcento no mesmo período do ano passado, devido à forte alta naarroba do boi no Brasil, que se encontra em um ciclo de baixaoferta de animais. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados de EconomiaAplicada (Cepea), o preço da arroba saltou de 63 reais em julhode 2007 para um patamar de 90 reais, com picos recentes de 95reais. Embora descarte a possibilidade de novo salto na cotação doboi, Batista afirma que as margens tendem a ficar maisapertadas neste ano. "Acho que vou ver um terceiro trimestrepior do que no segundo no Brasil", disse ele, observando que asmargens no país estão se deteriorando para todo o setor e queassim a empresa não perdeu mercado no período. Dessa forma, o presidente do JBS espera que prevaleça aforça do grupo no mercado brasileiro. "O JBS seguirá crescendocom margens melhores ou piores, respeitando o nossoendividamento." Com uma maior capacidade do JBS e a ampliação de abates deoutros concorrentes, como o Bertin, citado por Batista, "vaipiorar uma situação que estava ruim". "Estamos ampliando... a única maneira de ganhar marketshare é se o outro perder", disse o presidente, admitindo queno futuro a tendência é de diminuição do número de empresas nosetor no mercado atual. O crescimento da companhia neste ano, cujo investimento nãofoi divulgado, deve se dar apenas em aumento da capacidade."Mas em 2009 vamos ter oportunidades." DESEMPENHO NOS EUA É DESTAQUE As operações do JBS no exterior tiveram destaque no balançodo segundo trimestre, com exceção das unidades na Argentina--cujas exportações estiveram restritas. O faturamento das operações de bovinos nos EUA (incluindoAustrália), que respondem pela maior parte da receita do JBS(37 por cento), aumentaram a sua margem Ebitda de zero para 5,1por cento. Segundo o presidente, isso ocorreu pela redução de custos,aumento da produtividade e expansão de produtos de maior valoragregado. Mas as operações também foram beneficiadas por umacerta estabilidade do preço do boi nos EUA e por um dólarfraco, que torna mais competitivas as exportações a partir delá. Com a alta da carne do Brasil, maior exportador mundial,chegando a um limite de preço no exterior, pelo repasse decustos, até países como a Rússia passaram a comprar o produtodos EUA. "Quando os preços chegaram a 4 mil dólares, os EstadosUnidos e a Austrália disseram: 'nesse preço eu também vendo(para a Rússia)"', disse Batista. Além disso, o JBS USA já registrou impacto positivo notrimestre da abertura do mercado coreano, fechado anteriormentepor embargos decorrentes da doença da vaca louca nos EUA. Ainda aguardando a aprovação pelo Departamento de Justiçados EUA da compra da National Beef e da Smithfield, realizadaem março, o JBS espera reduzir mais seus custos quando osnegócios receberem o aval do governo. (Edição de Denise Luna)

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