Ueslei Marcelino/Reuters
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JBS compra produtora de suínos na Austrália por US$ 135 milhões de olho em diversificação

Apesar de valor ser relativamente baixo em relação tamanho da companhia, a gigante brasileira, mais conhecida pela produção de bovinos, segue firme em expansão de mercados e de produtos, dizem analistas

Beth Moreira, Julliana Martins e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 11h23
Atualizado 08 de junho de 2021 | 14h56

A aquisição da empresa australiana de suínos Rivalea é, ao mesmo tempo, um pequeno movimento para a JBS e um sinal importante para a estratégia da companhia. Os US$ 135 milhões (cerca de R$ 680 milhões) da transação representam menos de 1% do valor de mercado da gigante brasileira, numa região que responde por 4% das receitas totais do grupo, segundo cálculos do BTG Pactual. Mas trata-se de uma indicação da diversificação produtiva e geográfica do conglomerado, além de um lembrete sobre o apetite por ativos que possam trazer sinergias ao negócio.

"A JBS continua firme com a sua estratégia de expansão global através de desenvolvimento e aquisições de novas marcas. Nossa visão para a empresa segue muito positiva", afirmam os analistas da Genial em comentário a clientes. Sobre o negócio na Austrália, eles destacam a proximidade com a Ásia como um fator vantajoso do ponto de vista da logística para exportação.

Em relatório, o BTG Pactual também destaca o negócio como parte do "interessante movimento" em direção ao objetivo da empresa de se tornar uma companhia de alimentos mais diversificada. Avaliam ainda o preço pago como atraente e lembram do potencial de sinergias com a marca Primo, operada atualmente pela brasileira na Austrália.

"Uma vez que as preocupações com o balanço patrimonial foram resolvidas, a JBS está de volta ao modo de M&A (fusões e aquisições), anunciando sete aquisições nos últimos dois anos (provavelmente adiadas pela pandemia), das quais seis envolvem produtos de valor agregado", destacam os analistas.

O acordo fechado para adquirir a Rivalea, pertencente à empresa de alimentos QAF Limited, listada em Cingapura, permite a ela assumir a liderança no processamento de suínos do país. Segundo a JBS, a companhia é dona de marcas conhecidas e tem 25% do segmento na Austrália.

A Rivalea tem faturamento anual de aproximadamente 400 milhões de dólares australianos (US$310 milhões), duas fábricas e mais de mil colaboradores.

"Adicionamos marcas importantes ao nosso portfólio e criamos melhores condições para acelerar o crescimento dos negócios de valor agregado e marca no país, além de fortalecer a nossa plataforma de exportação", afirmou o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni.

Mercado australiano

Yago Travagini Ferreira, consultor da Agrifatto, afirma que o momento é favorável para a venda de carne suína e de produtos mais baratos no mercado doméstico australiano, em função da recuperação econômica do país pós-pandemia do coronavírus e do encarecimento da carne bovina.

O setor de suínos não é o mais forte da Austrália – grande produtora de carne bovina – e tem menor relevância no mercado internacional, com produção de cerca de 420 mil toneladas por ano, das quais apenas 35 mil toneladas são exportadas. Ainda assim, para Travagini, a diversificação da operação da JBS é importante para dar mais segurança produtiva à empresa.

Para o braço da empresa que opera na Austrália, a conjuntura tem sido desafiadora, após as condições climáticas desfavoráveis dos últimos anos, que eliminaram mais de 500 mil animais. Enquanto pecuaristas tentam recompor o rebanho, a escassez na oferta tem elevado os preços da carne bovina e levado os consumidores a optarem por proteínas mais baratas.

A estratégia da JBS vai ao encontro desse cenário, já que no último balanço os executivos disseram que a operação da empresa na Austrália, capitaneada pela JBS USA, quase não contribuiu com o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) gerado no primeiro trimestre. Na ocasião, o CEO da empresa nos Estados Unidos, André Nogueira, disse que só espera melhora significativa na produção de bovinos australiana no ano que vem e que o único setor com bom desempenho é a marca Primo, de produtos industrializados.

Selo verde

Ao mesmo tempo em que avança na estratégia de se tornar uma empresa de alimentos mais diversificada, a JBS também se esforça para mostrar respostas para as cobranças de investidores em torno de práticas mais sustentáveis. Nesta terça-feira anunciou uma títulos voltados à sustentabilidade, com vencimento em 10 anos e opção de recompra em cinco anos, disseram fontes.

A companhia informou haver uma série de medidas em andamento para tornar suas operações mais sustentáveis em todo o mundo. Como parte desse processo, a JBS estabeleceu como meta reduzir as emissões de gás efeito estufa em 30% até 2030, tomando por base as emissões de 2019, conforme as fontes.

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