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JBS compra a Plumrose, nos EUA, por US$ 230 milhões

Negócio faz parte da estratégia do grupo de alimentos brasileiro de crescer em produtos para o varejo

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2017 | 20h10

SÃO PAULO - A gigante dos alimentos JBS anunciou na noite desta segunda-feira, 13, a aquisição das operações norte-americanas da Plumrose, em um negócio de US$ 230 milhões. O negócio, que inclui cinco fábricas nos Estados de Iowa, Mississippi e Vermont, além de dois centros de distribuição, tem faturamento anual de US$ 500 milhões, segundo fato relevante divulgado pela empresa.

Com presença no varejo dos Estados Unidos – em especial com presunto, bacon e carnes enlatadas –, a Plumrose era uma subsidiária da dinamarquesa Danish Crown, que repassou 100% do negócio ao grupo brasileiro. Desde 2016, quando trocou de comando, a Danish teria decidido se concentrar na Europa, seu principal mercado.

Para a JBS, a Plumrose é uma oportunidade de ampliar a rentabilidade com o ganho de capacidade de processamento das matérias-primas e a entrega direta ao consumidor. Nos Estados Unidos, a companhia ganha três marcas: a própria Plumrose, DAK e Danola. Embora tenha participação minoritária nos Estados Unidos, a Plumrose é um rótulo tradicional no país, onde está presente há cerca de 80 anos.

Dentro do raciocínio de vender produtos de maior valor agregado, a empresa já adquiriu as operações da Seara no Brasil – que antes pertenciam à concorrente Marfrig –  em 2013. Depois disso, vieram outros negócios, como a Primo (na Austrália), a Tyson Foods (no México) e a operação de suínos da Cargill. Todos esse negócios, explicou uma fonte,  deram à JBS capacidade de processamento visando os mercados de food service (que inclui o fornecimento a restaurantes e cadeias de fast-food) e o varejo.

A Plumrose também tem operações na América Latina, sendo especialmente forte na Venezuela, mas o negócio entre JBS e Danish não inclui essa divisão, que vem sofrendo prejuízos nos últimos anos.

Embora já tenha sido aprovada pelos conselhos de administração da Danish Crown e da JBS, a conclusão da operação está condicionada à aprovação de órgãos reguladores americanos. O banco Barclays atuou como consultor financeiro e o escritório Squire Patton Boggs foi o assessor legal do acordo, informou ontem a JBS.

Balanço. A JBS reverteu o prejuízo de R$ 275,1 milhões registrado no quarto trimestre de 2015, e anotou lucro líquido de R$ 693,9 milhões entre outubro e dezembro do ano passado. Em 2016, a companhia lucrou R$ 376,0 milhões, queda de 91,9% frente ao ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da JBS ficou em R$ 3,112 bilhões nos últimos três meses do ano passado, pequeno recuo de 0,6% na comparação anual. No total de 2016, o Ebitda somou R$ 11,286 bilhões, queda de 15,1%.

A receita líquida da JBS no quarto trimestre somou R$ 41,630 bilhões, diminuição de 11,7% e em 2016, foi de R$ 170,380 bilhões, alta de 4,6% ante o registrado no ano anterior.

A JBS registrou nos últimos três meses do ano passado uma despesa financeira líquida de R$ 939,8 milhões diminuição de 45,9% frente à despesa de R$ 1,378 bilhão de igual etapa do ano anterior. Em 2016, o resultado financeiro líquido foi uma despesa líquida de R$ 6,311 bilhões, valor 385,3% superior aos R$ 1,300 bilhão negativos de 2015. /COM FÁTIMA LARANJEIRA

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