JBS faz oferta para comprar americana Hillshire Brands por US$ 6,4 bilhões

Com união entre Pilgrim’s Pride e Hillshire, grupo brasileiro formará companhia de US$ 12,4 bilhões e terá presença mais forte no varejo americano 

O Estado de S. Paulo,

27 de maio de 2014 | 14h12

Atualizada às 21h30

A Pilgrim’s Pride, empresa americana controlada pelo grupo brasileiro JBS, anunciou nesta terça-feira uma proposta para adquirir 100% da companhia de alimentos Hillshire Brands por US$ 6,4 bilhões. A proposta, que inclui US$ 840 milhões em dívidas, seria uma forma de a empresa aumentar sua presença no varejo americano com produtos de valor agregado.

O movimento do JBS nos Estados Unidos representa um retorno às aquisições pouco menos de um ano após a sua última grande compra. Em junho de 2013, o grupo - o maior processador de carne bovina do mundo - assumiu a marca de varejo Seara no Brasil, que pertencia à Marfrig, em um negócio de R$ 6 bilhões. Também, neste caso, a meta era aumentar a presença em produtos industrializados.

Na avaliação de analistas, a compra da Hillshire Brands é mais um passo agressivo para o grupo. Isso porque o valor da operação representa um múltiplo de 12,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) da Hillshire. O valor embute um prêmio de mais de 20% sobre o valor das ações do negócio no mercado financeiro americano no início desta semana.

Dona de marcas famosas nos Estados Unidos, como Jimmy Dean, Ball Park e Sara Lee, a Hillshire fatura hoje US$ 4 bilhões ao ano. Combinadas, Hillshire e Pilgrim’s Pride chegariam a uma receita de US$ 12,4 bilhões ao ano, com Ebitda de US$ 1,4 bilhão. Em comunicado, o JBS afirmou que a aquisição deverá expandir suas margens nos EUA.

Dívidas. No entanto, de acordo com analistas, o custo relativamente alto da operação tiraria o JBS do caminho da redução de sua alavancagem (peso do endividamento em seu balanço), que ficou em 3,26 vezes no primeiro trimestre, abaixo do resultado de 3,7 vezes do quarto trimestre de 2013. Em relatório, a Votorantim Corretora calcula que, com o negócio, a alavancagem do JBS será elevada para 4,7 vezes o Ebitda.

Embora o JBS seja dono de 75% da Pilgrim’s Pride, o presidente do grupo, Wesley Batista, afirmou ontem que toda a compra será paga pela controlada. Ele garantiu a analistas e investidores que o JBS não concederá empréstimos ou garantias à operação. Uma das razões para a compra "independente", segundo Batista, seria o baixo endividamento da Pilgrim’s.

As dívidas da Pilgrim’s somavam US$ 155 milhões antes da operação. Agora, caso a aquisição da rival se concretize, os débitos vão passar de US$ 7 bilhões, elevando sua alavancagem para 4,7 vezes o Ebitda, segundo cálculos do mercado. A expectativa é que, caso vá adiante, o negócio seja concluído no terceiro trimestre.

Para a Votorantim Corretora, apesar do aspecto negativo de aumento do endividamento, o JBS mostrou, após assumir a Pilgrim’s, capacidade de reduzir custos e capturar sinergias, o que pode se repetir agora.

Rescisão de contrato. Além de US$ 840 milhões em dívidas, o valor a ser pago pela divisão americana do JBS pelo novo negócio de varejo no país também inclui uma indenização de US$ 163 milhões para a rescisão de um contrato de compra de US$ 4,2 bilhões firmado pela Hillshire no início de maio.

Antes de receber a oferta da Pilgrim’s Pride, a Hillshire Brands havia feito acordo para comprar a Pinnacle Foods, empresa de comida processada controlada pelo fundo de private equity Blackstone Group, sócio da Pátria Investimentos no Brasil.

Caso o acordo seja desfeito, analistas americanos dizem que não faltarão interessados na Pinnacle, considerada uma companhia atraente. Entre as potenciais interessadas no negócio estaria a Tyson Foods.

Bolsa. Nesta terça-feira, nos Estados Unidos, as ações da Pilgrim’s ficaram perto do zero a zero, enquanto a Hillshire viu seus papéis dispararem mais de 20%. A ação da companhia subiu tanto em um só dia que fechou acima da proposta de US$ 45 feita pela Pilgrim’s Pride. Por aqui, na BM&F Bovespa, os papéis da JBS foram castigados, com queda superior a 4%. / FERNANDO SCHELLER, GABRIELA VIEIRA e MARCELLE GUTIERREZ

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