JBS Friboi pode desistir de joint venture na Itália

Para presidente do conselho da Inalca JBS, não há mais condições de manter a sociedade criada em 2007 com a italiana Cremonini

Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente do conselho de administração da Inalca JBS, Marco Bicchieri, declarou que, com o agravamento das relações entre o grupo italiano Cremonini e o frigorífico brasileiro por conta da batalha legal sobre a joint venture, não há mais condições de manter a sociedade. A Inalca representa hoje cerca de 2% da receita do grupo JBS Friboi.

Em entrevista à Agência Estado, o executivo ressaltou que, na assembleia de acionistas a ser realizada no próximo dia 24, o JBS pedirá a destituição dos atuais administradores delegados da Inalca JBS - Luigi Cremonini, Paolo Boni e Luigi Scordamaglia, do Cremonini. "A atitude que eles tiveram conosco, de não nos deixar ter acesso aos números da Inalca JBS e de, em alguns casos, nos proibir de entrar na empresa, mostra que não há a menor possibilidade de manter essa sociedade", disse.

Se não houver consenso na assembleia, o frigorífico brasileiro entrará com pedido na Justiça de Modena (Itália) para a liquidação oficial da joint venture. "Alegaremos ingovernabilidade da empresa e, por meio da liquidação oficial, vendem-se os ativos, pagam-se os credores e, assim, fecha-se a empresa", explicou.

Bicchieri é um dos diretores do JBS que foram considerados inelegíveis pela diretoria da Inalca JBS para o conselho da joint venture, em reunião realizada ontem em Modena (Itália). Além dele, estão Francisco de Assis e Silva e Aparecido Gilson Teixeira. "Nessa reunião só eles (Cremonini) participaram, além do conselho fiscal, composto por três membros, sendo três deles e um do JBS. O que é ilegal", declarou.

O Cremonini alegou que os executivos não poderiam exercer os cargos, por não serem residentes no País, conforme a legislação italiana. Além disso, o grupo afirmou que, no Brasil, os membros da diretoria de um escritório devem ter visto permanente e residência no País. "E a diretiva jurídica brasileira é expressamente declarada pela JBS em seu site", disse o grupo italiano.

O JBS, em comunicado divulgado ontem à tarde, já tinha contestado a justificativa de seu sócio, ao afirmar que, pelo princípio da reciprocidade contido na legislação da Itália, a alegação não é válida. "No Brasil, não é exigido residência para um italiano ser conselheiro."

Incoerência. Bicchieri reforçou a posição da empresa, dizendo que a explicação do Cremonini é "uma total incoerência". "Se estivesse tudo certo, tudo claro, nada a esconder, eles não fariam isso, não tomariam essas decisões contra o JBS", disse.

A batalha legal entre JBS e Cremonini em relação à Inalca JBS, criada no fim de 2007, começou em julho, com acusações do JBS sobre aspectos de governança corporativa, envolvendo o impedimento da gestão financeira da joint venture. O Cremonini, por sua vez, acusa o JBS de quebra de cláusula de não concorrência com a atuação do Bertin, incorporado pelo JBS em 2009, em países onde haveria exclusividade de atuação para a Inalca.

PARA LEMBRAR

Inalca marcou entrada do JBS na Europa

O JBS Friboi comprou a participação de 50% na Inalca em dezembro de 2007, pagando 225 milhões. A aquisição de metade do maior grupo de carnes da Itália marcou a entrada do frigorífico brasileiro no mercado europeu. Naquele mesmo ano, em maio, o JBS havia dado seu maior passo no mercado internacional, com a aquisição do grupo americano Swift Foods, um negócio de US$ 1,4 bilhão.

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