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JBS manterá em caixa recursos de negócio frustrado nos EUA

A brasileira JBS, maior processadora global de carne bovina, informou nesta sexta-feira que pretende direcionar para o caixa da empresa os recursos que iria utilizar para a aquisição da norte-americana National Beef, negócio que acabou não se concretizando. A JBS iria pagar 970 milhões de dólares pela National Beef em ações, dinheiro e assumindo dívidas da empresa. A parcela em dinheiro seria de 465 milhões de dólares. O governo dos EUA barrou o negócio e impôs condições que a companhia brasileira considerou insatisfatórias, o que a levou a desistir da compra nesta sexta-feira. "Vou comprar mais dois colchões (para guardar o dinheiro), porque é muito dinheiro", declarou à Reuters o presidente do JBS, Joesley Mendonça Batista, pouco antes de iniciar a conferência de imprensa para detalhar os resultados financeiros do quarto trimestre da empresa nesta sexta-feira. Mendonça enfatizou que não foi o JBS que desistiu do negócio, mas sim o Departamento de Justiça dos EUA que impediu a empresa de levar o National Beef. "Lutamos muito, mas infelizmente o Departamento de Justiça quis nos manter do mesmo tamanho da Tyson e da Cargill (outras grandes empresas do setor nos EUA). O Departamento de Justiça vai tornar a vida da Tyson e da Cargill mais fácil", declarou a jornalistas. Se o negócio tivesse sido efetivado, a brasileira JBS seria a maior empresa de carne bovina dos EUA. Segundo Batista, o governo dos EUA exigia que o JBS vendesse duas das oito unidades que tem em território norte-americano, para dar sinal verde para o negócio com a National. "Não acho que seria razoável comprar por 900 milhões de dólares três plantas (da National) e ser obrigado a vender outras duas", afirmou Batista mais cedo em conferência com analistas. "Para os EUA foi um forte equívoco impedir que construíssemos uma terceira empresa com forte economia de escala para competir com as maiores (Cargill e Tyson)", completou ele, acrescentando ainda que "a empresa não tem nenhuma outra aquisição em vista nem em andamento". Por sua vez, o National Beef afirmou nesta sexta-feira que continuará operando como uma empresa independente, agora que o negócio com o JBS se frustrou. O National Beef é a quarta maior produtora de carne bovina dos EUA. "Agora que a transação foi encerrada, vamos seguir em frente em uma base independente", afirmou o presidente da companhia Steve Hunt. "Nós continuamos operando no ano passado tendo que assumir que esta transação não seria aprovada. Por essa razão, continuaremos a ampliar o nosso negócio." Batista acrescentou que seria uma incoerência exigir que o JBS se desfizesse de duas unidades no atual momento de crise, quando não há compradores para tais ativos. Além de manter o dinheiro em caixa em um momento de aperto de crédito, o JBS deixará de realizar novos empréstimos, que certamente a consolidação do negócio do National Beef exigiria. "Dinheiro não é carimbado. Caso a gente viesse a comprar o National, a gente iria levantar novos financiamentos. Como não adquiri, vou continuar com o caixa que temos", afirmou. Batista disse que a empresa fechou o quarto trimestre de 2008 com um caixa de 1 bilhão de dólares. Por volta das 13h (horário de Brasília) desta sexta-feira as ações da JBS subiam 3,6 por cento na Bovespa, enquanto o índice geral da bolsa caía quase 3 por cento.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

20 de fevereiro de 2009 | 13h48

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