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JBS negocia rolagem da dívida que fez com BNDES para comprar a Pilgrim''s

Menos de um ano depois de ter levantado R$ 3,4 bilhões junto ao banco estatal para comprar a empresa nos Estados Unidos, o frigorífico da família Batista discute uma segunda operação, desta vez maior, somando R$ 4 bilhões

Chiara Quintão, Fabiana Holtz, Irany Tereza e Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

Antes de completar um ano da emissão de debêntures que totalizou R$ 3,479 bilhões, dinheiro usado na aquisição da americana Pilgrim"s Pride, o frigorífico JBS informou ontem ao mercado estar negociando nova emissão, para substituir a primeira, desta vez de R$ 4 bilhões.

A empresa informou estar conversando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que subscreveu a maior parte da primeira operação, a substituição dos papéis. O banco não se manifestou oficialmente sobre o assunto. Segundo o Estado apurou, a proposta do JBS ainda não foi analisada pela diretoria. Por ora, o frigorífico está inadimplente com o banco numa das cláusulas do contrato da primeira operação.

A subscrição das debêntures, em janeiro deste ano, foi condicionada à abertura de capital da subsidiária americana do frigorífico, a JBS USA, sob pena de pagamento de multa de US$ 300 milhões, caso a oferta de ações não fosse concluída até dezembro.

De acordo com o comunicado da empresa, a nova emissão retirará a obrigatoriedade da abertura de capital da subsidiária - o que, na época, foi uma imposição do BNDES. Em agosto, o presidente do grupo, Joesley Mendonça Batista, havia declarado considerar satisfatório o adiamento do IPO (abertura de capital) para 2011, mesmo que tivesse de pagar multa, devido ao momento crítico do mercado acionário americano.

O anúncio afetou as ações da JBS na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis ordinários (ON) fecharam o dia com recuo superior a 4%, em que o Ibovespa caiu 1%.

Analistas. Apesar da queda das cotações, a segunda emissão não é vista como negativa por analistas. Na avaliação da chefe da área de análise da corretora Ativa, Luciana Leocadio, a operação não tem impacto nos papéis.

A Votorantim Corretora reiterou a recomendação de manutenção para as ações da JBS, com o preço-alvo de R$ 8,80 para setembro de 2011. Por não ter realizado o IPO da subsidiária norte-americana este ano, a empresa pagará um prêmio de R$ 260,97 para cada debênture da primeira emissão, no total de R$ 521,940 milhões.

Mas o mercado já esperava o pagamento da multa. "O prêmio para não ter de fazer a abertura de capital da JBS USA é elevado, mas não chega a ser surpresa", disse a analista da Ativa.

No fato relevante publicado ontem, a empresa lembrou que o BNDES ficou com 65,1% do total das debêntures lançadas em janeiro de 2010. A empresa diz estar "em estágio avançado de negociação com o principal debenturista" para a segunda emissão.

O preço de conversão será de R$ 9,50 por ação, acrescidos dos juros pagos aos debenturistas, líquido de impostos, e deduzidos de toda remuneração paga aos acionistas no período (dividendos, juros sobre capital próprio, etc); e opção de subscrição com as debêntures da 1ª emissão.

Confiança. O entendimento do mercado é que o estímulo à consolidação em um setor no qual o Brasil tem vantagem competitiva conquistou os técnicos do BNDES. Entretanto, o problema pode ter sido o excesso de ousadia da companhia: ao se comprometer com a abertura de capital da JBS USA, a companhia esperava um ambiente melhor no mercado americano.

Com a lenta recuperação da economia do país, a JBS já adiou duas vezes o lançamento das ações, aumentando as suspeitas de que a operação não rendeu os resultados esperados.

PARA ENTENDER

BNDES apoiou crescimento do grupo

Originário de um açougue no interior de Goiás que abatia cinco cabeças de gado por dia nos anos 50, o JBS Friboi já fazia quase seis mil abates diários nos anos 2000, com o crescimento por meio de aquisições. Foi então que encontrou no BNDES um motor para potencializar seu DNA de comprador e multiplicou a capacidade por dez.

A exemplo do que vem fazendo com o rival Marfrig, o banco estatal tem dado suporte financeiro às aventuras internacionais do JBS, que já conta mais de 50 unidades no Brasil e em países como Estados Unidos, Argentina e Austrália e atualmente ocupa o posto de maior companhia de proteínas do mundo.

Nos últimos anos, o BNDES colocou cerca de R$ 10 bilhões no JBS para expansões e suporte financeiro a aquisições como a da Pilgrim"s Pride, o passo mais ousado de sua trajetória de crescimento.

O grupo também fez aquisições no Brasil com o apoio do BNDES, como a compra do frigorífico Bertin. Ávido por viabilizar multinacionais brasileiras, o BNDES aposta no setor de carnes para criar gigantes capazes de competir lá fora. A diretriz vem da política industrial do governo Lula.

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