JBS tem perdas com câmbio e Argentina, onde produção pode parar

O JBS, maior produtor e exportador decarne bovina do mundo, teve prejuízo de 6,6 milhões de reais noprimeiro trimestre de 2008, afetado principalmente pelavariação cambial sobre investimentos em moeda estrangeira etambém devido às perdas decorrentes da proibição dasexportações de carnes na Argentina. Além de Brasil e Argentina, o grupo brasileiro tem unidadesnos Estados Unidos, Austrália e na Itália. "Hoje, temos 1,5 bilhão de dólares investidos no exterior.A cada 10 centavos que o dólar se movimenta contra o real, issorepresenta 150 milhões de reais", exemplificou a jornalistas opresidente do JBS, Joesley Mendonça Batista. "Se o dólar andar 10 centavos negativos, seguramente nopróximo trimestre registraremos mais um prejuízo de 150. E ooposto é verdadeiro, se o dólar andar 10 centavos para cima,fechar a 1,80 (real), vamos registrar 150 de lucro",acrescentou. Ele lembrou também que, quando as outras aquisições do JBSnos EUA forem concluídas (National Beef e Smithfield), oinvestimento externo saltará para 3 bilhões de dólares e oimpacto cambial pode dobrar para mais ou menos. Diante disso, ele declarou ter afirmado em reunião com umaalta autoridade do governo brasileiro que o país não estápreparado para ser sede de multinacionais. "Toda legislação éestruturada para um país que está sendo comprado." No primeiro trimestre do ano passado, quando ainda nãohavia operações nem nos EUA nem na Itália (Inalca), o JBS tevelucro de 10,6 milhões de reais, contra prejuízo de 136,1milhões de reais no quatro trimestre de 2007. Mas, segundo ele, o problema do veto às exportações daArgentina, onde a empresa tem cinco unidades de produção,também teve impacto direto nos resultados. A receita líquida na Argentina caiu 37 milhões de reais, emrelação ao período anterior, contra um salto da receita de todoo grupo nos primeiros três meses de 1,27 bilhão para 5,85bilhões de reais, ante o primeiro trimestre de 2007, graças aincorporação das unidades nos Estados Unidos (receita de 4,28bilhões de reais) e na Itália (304 milhões). O resultado, no entanto, caiu ante os 6,65 bilhões de reaisdo quarto trimestre de 2007, também pela variação cambial. Otrimestre com uma semana a menos também reduziu o faturamento. UNIDADES PODEM PARAR NA ARGENTINA "Tivemos pontualmente um forte impacto negativo em funçãodas restrições às vendas do governo argentino", disse ele. O presidente do JBS afirmou ainda que a empresa estátransferindo boa parte do produto que seria vendido no exteriorpara o aquecido mercado local argentino, mas salientou que seas restrições aos produtos industrializados (carnes cozidas eenlatadas) prosseguirem, a empresa poderá suspender essaprodução, que não encontra demanda internamente. "Vamos parar as nossas atividades, porque não temos o quefazer com esses produtos (processados), estamos fazendo algoque não tem cliente", disse ele, lembrando que se o governoargentino não permitir exportações nos próximos dias a linha decarnes cozidas e enlatadas será paralisada na segunda-feira. Se isso ocorrer, haverá uma redução nas vendas do JBS naArgentina de 30 por cento, disse o presidente, lembrando que aempresa terminou o trimestre com 25 milhões de dólares deprodutos processados em estoque e com 15 milhões de dólares decarne in natura estocada. "Temos dificuldade de prever o que vai acontecer naArgentina", disse ele, referindo-se ao país que retém asexportações de carne bovina, um produto básico da população,para tentar controlar a inflação. Essa política está entre osmotivos da retomada dos protestos de produtores locais. Com as proibições nas exportações argentinas, no mesmomomento em que a Europa restringe fortemente as vendas doBrasil, o JBS tem abastecido o mercado europeu através de suasunidades na Austrália.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.