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JBS vendeu ativos para grupo Minerva com ‘desconto’ de US$ 200 mi

Conversas começaram há um mês e valor inicial pedido por operações no Paraguai, Uruguai e Argentina foi de cerca de US$ 500 milhões, apurou o ‘Estado’

Márcia De Chiara e Monica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2017 | 10h28

SÃO PAULO - A JBS, dona da Friboi, fechou acordo para vender suas operações de carne bovina no Paraguai, Uruguai e Argentina ao grupo brasileiro Minerva, por US$ 300 milhões. O Estado apurou que as negociações começaram há um mês e que, para sacramentar o negócio, o Minerva esperou pelo acordo de leniência da J&F, holding dos irmãos Batista, assinado na semana passada.

O valor inicial pelo pacote de nove unidades da JBS na América do Sul pedido pelo grupo foi de cerca de US$ 500 milhões, mas o lance foi reduzido depois que as delações de Joesley e Wesley Batista vieram à tona, a partir do dia 17 de maio, segundo fontes a par do assunto, que preferiram não se identificar.

As conversas para a venda dos ativos foram conduzidas entre Renato Costa, presidente da divisão de carnes da JBS no Brasil, e Fernando Queiroz, presidente do Minerva, de acordo com as mesmas fontes.

O acordo foi anunciado ontem pelas companhias e envolve nove frigoríficos da JBS Mercosul, dos quais três no Paraguai, um no Uruguai e cinco na Argentina, que também inclui uma unidade de processamento de carne e um centro de distribuição. A Minerva informou, em comunicado, que essas aquisições se darão por meio de suas subsidiárias nestes países e que o valor está sujeito a ajustes.

A transação, aprovada pelos conselhos de administração da JBS e da Minerva, depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Na semana passada, os controladores do JBS concordaram em pagar uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada pelo Ministério Público Federal (MPF). “A alienação de alguns ativos não estratégicos ajudará a empresa a se concentrar no crescimento em mercados maiores e mais lucrativos e a reduzir sua posição de alavancagem”, disse ontem em nota Tarek Farahat, presidente do Conselho de Administração da JBS.

As ações ordinárias da JBS subiram e 8,37% ontem, a R$ 7,90, a maior alta da Bolsa. Os papéis ON da Minerva subiram 4,88%.

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Oportunidade. A compra do pacote de unidades da América do Sul foi considerada uma oportunidade para o grupo Minerva, que estava há alguns meses em busca de ativos para aumentar sua presença na região. A companhia esteve em negociações avançadas para a aquisição de frigoríficos na Argentina, país em que ainda não estava presente. Um dos alvos era o grupo Friar, apurou o Estado. As negociações, contudo, não avançaram.

No início do ano, a Minerva informou que as negociações para a compra do Frigorífico Frisa, que já estava praticamente concluída, foram encerradas. A companhia tinha anunciado a aquisição da rival, com operações no Espírito Santo e na Bahia, por R$ 205 milhões, mas o grupo vendedor desistiu do negócio, segundo fontes.

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Para o diretor da MB Agro, José Carlos Hausknecht, a compra dos ativos da JBS feita pelo Minerva é muito importante, uma vez que o grupo passa a atuar na Argentina e ter uma fatia maior de seus negócios no exterior. Antes da negociação, afirma o consultor, o Brasil respondia por 69% dos negócios da empresa – 31% estavam concentrados no Paraguai e Uruguai. Agora, passa a responder por 45%, enquanto Paraguai, Uruguai e Argentina ficam com fatia de 55%.

A analistas, o presidente da Minerva Foods, Fernando Queiroz, afirmou que companhia revisou sua projeção de receita líquida consolidada para a faixa de R$ 13 bilhões a R$ 14,4 bilhões entre julho de 2017 e junho de 2018. Segundo a empresa, a receita líquida estimada com a compra representa um ganho de US$ 3,2 bilhões.

Segundo Queiroz, “novas aquisições não estão no radar” após a compra de operações da JBS na América do Sul. “Nosso desafio, é extrair o máximo de valor possível e de experiência com essas operações, integrando-as. Foi algo ímpar, que praticamente encerra o nosso ciclo de ‘business plan’.”

A capacidade de abate dos frigoríficos adquiridos totaliza 9.050 cabeças, divididas entre Argentina (5.050), Paraguai (3.100) e Uruguai (900). Com isso, a capacidade consolidada do Minerva após as aquisições subirá para 26.380 cabeças.

Segundo Jose Vicente Ferraz, da consultoria Informa Economics FNP, os frigoríficos envolvidos nas negociações são relevantes nos mercados onde atuam. No caso do Paraguai, as fábricas respondem por 47,6% do abate de bovinos do país. Já no Uruguai, 14,3% dos abates e, na Argentina, 6,1%.

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Boi à vista. Essa transação dará um fôlego para o setor pecuarista brasileiro, que enfrenta problema de falta de liquidez, desde que a JBS deixou de comprar bois à vista, segundo o vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto. “Mas esse fôlego é curto”, disse. Ele acrescenta que é preciso saber quanto dessa cifra deve entrar liquidamente para empresa. À reportagem, a JBS informou que padronizou todos os processos de compra de gado no Brasil no mês passado, com pagamento no prazo de 30 dias, o que já acontecia em 97% das praças onde atua. /COLABOROU CIRCE BONATELLI

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