J.C. Penney vai vender controle da lojas Renner

O grupo norte-americano J.C. Penney vai se desfazer da rede brasileira Lojas Renner em oferta pública de suas ações, correspondentes a 98% do capital da empresa. O pedido de registro da operação foi encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na segunda-feira e divulgado ao mercado, por meio de uma nota, nesta terça-feira. A forma escolhida para a venda indica que o controle passará a ser distribuído entre diversos investidores.A saída do Brasil repete um movimento feito no México, no ano passado, quando a J.C. Penney vendeu a rede local, com cerca de 20 lojas de sua própria marca, e indica uma preferência pela concentração dos negócios nos Estados Unidos, onde a cadeia tem 1.017 lojas de departamentos e 150 mil funcionários.A Renner é especializada em vestuário e tem 64 lojas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, quase todas localizadas dentro de shopping centers. A receita bruta da rede chegou a R$ 1,3 bilhão em 2004.Na proposta feita à CVM, a J.C. Penney explica que a transação pode resultar na venda total ou parcial de sua participação acionária. As ações preferenciais serão convertidas em ordinárias para posterior oferta aos interessados. Ao mesmo tempo, a Lojas Renner solicitará listagem no Novo Mercado da Bovespa, que exige compromisso com práticas mais rigorosas de governança corporativa.No próximo dia 25, uma assembléia de acionistas deverá aprovar a série de medidas necessárias para preparar a empresa para a oferta de ações. A atual diretoria, presidida por José Galló, será mantida e continuará comandando a rede do escritório em Porto Alegre. A operação será coordenada pelo Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston S.A. e tende a estar concluída no final de junho, prazo necessário para a análise da CVM, posterior apresentação a possíveis interessados e, enfim, oferta pública das ações. Trajetória - A aquisição da Lojas Renner pela texana J.C. Penney, em dezembro de 1998, deu um impulso à expansão que os antigos controladores, da família Renner, faziam lentamente. O projeto de expansão física levou a cadeia a abrir mais lojas em São Paulo e a entrar no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo, ocupando espaços deixados no mercado pela Mesbla e pela Mappin.Em apenas seis anos e meio, a rede passou de 21 para 64 lojas, aumentando seu quadro de pessoal de 2 mil para 6 mil funcionários. Também viu sua receita líquida crescer de R$ 133,4 milhões em 1995 para R$ 953,8 milhões em 2004,. O lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização foi de R$ 63,5 milhões em 2002, R$ 72,4 milhões em 2003 e R$ 107,5 milhões em 2004.A história da Lojas Renner começou em 1912, no bairro Navegantes, em Porto Alegre, quando o descendente de alemães Antônio Jacob Renner montou uma indústria para fabricar capas de lã resistentes ao frio e ao vento, adequada aos rigores do inverno gaúcho. O primeiro ponto de vendas próprio foi aberto em 1922. Na década de 40, com ampliação da linha de produtos, a Renner tornou-se uma loja de departamentos. Em 1967 a empresa abriu seu capital. Em 1991, abandonou o conceito de departamentos de todas as linhas e voltou-se para a especialização em moda.O plano de expansão começou em 1994 com a inauguração de lojas em Santa Catarina. Em 1996 a cadeia chegou ao Paraná e em 1997 a São Paulo. A aquisição do controle pela J.C. Penney ampliou a capacidade de negociação com fornecedores internacionais e de expansão da rede de lojas, tornando-a uma das três maiores do País.

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