J&F quer Alpargatas ainda mais internacional

Apesar do sucesso da Havaianas lá fora, 69% da receita ainda se concentra no Brasil, segundo dados do balanço da companhia

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2015 | 02h05

Embora seja considerada um dos casos mais bem sucedidos de internacionalização de marcas no Brasil, a Alpargatas terá de crescer ainda mais lá fora caso queira agradar o novo proprietário, o grupo J&F, comandado pelos irmãos Wesley e Joesley Batista. Segundo apurou o Estado, o principal foco de interesse do grupo no negócio é a possibilidade de a Havaianas ganhar mercado no exterior.

Da receita líquida total de R$ 3,7 bilhões da Alpargatas no ano passado, 69% ainda se concentram no Brasil, segundo dados do balanço da companhia. No ano anterior, a marca havia sido de 70%. Apesar de o faturamento internacional parecer relevante, boa parte do total arrecadado se concentra no mercado argentino. Isso porque a Topper, marca de materiais esportivos da Alpargatas, teve origem na Argentina e lidera o segmento no país.

A marca Havaianas é a única com participação relevante fora do Brasil e da Argentina. No ano passado, a Alpargatas vendeu quase 35 milhões de sandálias no exterior, alta de 3,8% em relação ao ano anterior. Nos mercados da Europa e dos Estados Unidos, onde o preço do produto é mais alto, o avanço foi da ordem de 20%. Como ocorre em outros negócios da J&F, o crescimento internacional seria um "seguro" contra as flutuações do real.

Por ser "novato" no mercado de calçados e confecções, a intenção do grupo J&F seria manter a equipe que comanda a Alpargatas nos cargos por enquanto, segundo fontes. O executivo Márcio Utsch está na presidência da companhia desde 2003, mas ajudou a planejar a "virada" da Havaianas, quando a empresa estava em situação financeira ruim, nos anos 1990.

Brasil. Enquanto lá fora a ordem é aumentar a venda de sandálias, a estratégia da Alpargatas no Brasil tem sido reduzir a dependência dos famosos chinelos, que ainda respondem por cerca de 60% das receitas da companhia.

Como os preços dos chinelos Havaianas não podem subir muito mais no mercado interno, a Alpargatas está tentando diversificar seu portfólio para produtos de preço unitário mais alto.

Uma das principais apostas no Brasil são os tênis da marca japonesa Mizuno, cujo par chega a custar R$ 1.000 nos pontos de venda. No início deste ano, a Alpargatas renovou o contrato para fabricar e distribuir os produtos da Mizuno no País por mais 26 anos.

Em 2014, a empresa teve um ano difícil no segmento esportivo. As vendas desta área - que reúnem os resultados de marcas como Mizuno, Rainha e Topper -- foram de R$ 975 milhões, contra R$ 1,039 bilhão do ano anterior. A participação dos artigos esportivos na receita da Alpargatas no Brasil caiu de 43% para 38% entre 2013 e 2014

O portfólio de marcas esportivas da Alpargatas passou por uma reformulação há três semanas. O investidor Carlos Wizard Martins - ex-proprietário da rede de escolas de idiomas Wizard e atual dono da Mundo Verde - adquiriu os ativos da Topper e da Rainha no Brasil por R$ 48 milhões.

Em entrevista ao Estado, Wizard Martins afirmou que seu objetivo é buscar uma atuação internacional, especialmente para a Topper. As duas marcas foram vendidas pela Alpargatas por causa de seu porte pequeno - ambas não aparecem sequer entre as 15 líderes de seu segmento.

Outra meta da Alpargatas ao se desfazer da Topper e da Rainha é abrir espaço nas fábricas para a Mizuno, que tem valor de venda bem superior. Pelo acordo com Wizard, a Alpargatas só vai fabricar os produtos das marcas que vendeu por um período máximo de dois anos.

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