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Jeito antigo de ser

O PT fez de tudo para derrubar os ministros Levy e Cardozo. E começa a fritar o Nelson Barbosa. E Dilma, ainda serve?

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2016 | 21h00

Quando um lutador não sabe quem é o inimigo, não sabe também como lutar. O PT está assim. Na incapacidade de identificar o inimigo, diz qualquer coisa: “são eles”, “é o sistema”, “as elites”, “o regime capitalista”, “os rentistas”, “a imprensa burguesa”...

Antes de alvejar a Polícia Federal e o Ministério Público, os dirigentes do PT abriram fogo contra determinados membros do Judiciário, que, segundo eles, vinham vazando para a imprensa informações seletivas, sempre contra o governo e contra eles próprios.

E chegou o momento de responsabilizar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dirigente histórico do PT, seja por não controlar a Polícia Federal, seja por não acioná-la contra redutos da oposição que estariam sendo beneficiados com as denúncias da Operação Lava Jato, o que pressupõe que o ministro a controle.

O PT não quer instituições de Estado que atuem com certa autonomia. Quer manipulá-las à vontade, como se existissem apenas para fazer o jogo de determinados grupos de interesse e não os da República.

Na área econômica foi e continua sendo a mesma coisa. Ao final de 2014, o ministro Guido Mantega não servia mais aos planos do governo PT porque comandara a política que levou ao desastre da economia. Para seu posto, apesar da retórica petista habitual contrária a cartolas do sistema financeiro, o ex-presidente Lula recomendou um banqueiro, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, que preferiu permanecer onde estava, mas indicou outro diretor do Bradesco, Joaquim Levy.

Meses depois, o PT tratou de fritar ostensivamente Joaquim Levy, supostamente porque defendeu uma política econômica ortodoxa demais. Para seu lugar, o PT fez o lobby, afinal vitorioso, do então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Com apenas dois meses à frente da Fazenda, o ministro Nelson Barbosa também deixou de servir para o pessoal do PT. Mesmo com toda sua folha corrida dentro do partido, também começou a ser visto como ortodoxo demais, neoliberal demais, defensor dos banqueiros e dos rentistas, contra os interesses do trabalhador.

Querem agora a volta dos tempos da política econômica do presidente Lula, quando não havia um rombo de 6% do PIB nas contas públicas nem a perspectiva de uma retração de 8% a 10% na renda nacional em apenas dois anos. Mas o que seria a volta da política econômica dos tempos de Lula? Seria a entrega do comando da economia a Antonio Palocci, que inspirou a Carta ao Povo Brasileiro e também fez, segundo eles, o jogo neoliberal? Ou ao celebrado banqueiro central Henrique Meirelles, o responsável pelo cacife de US$ 370 bilhões em reservas, que o PT quer queimar com despesas públicas?

Nessa busca aflita ao inimigo da hora, o PT passou a mirar a presidente Dilma, também por não enquadrar a Polícia Federal nem determinados juízes de primeira instância. E por ter começado a defender o ajuste fiscal e, abominação das abominações, a defender a reforma da Previdência Social.

Falta o PT olhar-se no espelho e perguntar se seu principal inimigo não seria ele próprio e seu jeito antigo de ser, carregado de patrimonialismo e de corporativismo sindical.

CONFIRA

Aí vai a trajetória da balança comercial do Brasil em 12 meses.

Melhora externa

Os resultados comerciais continuam melhorando, justificando a expectativa de um superávit próximo dos US$ 35 bilhões neste ano. Baseiam-se não apenas no tombo das importações (por causa da recessão e da queda de consumo interno). Em fevereiro já ocorreu significativo aumento das exportações (4,6% sobre janeiro). Já se nota, também, expressivo aumento das exportações de manufaturados em razão da desvalorização do real.

 

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