JHSF negocia venda de shoppings

Empresa deve se desfazer dos shoppings Metrô Santa Cruz e Metrô Tucuruvi para se concentrar na alta renda

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

20 Agosto 2009 | 00h00

A incorporadora JHSF está negociando a venda dos shoppings paulistanos Metrô Santa Cruz e Metrô Tucuruvi, dentro de uma estratégia de se consolidar como uma empresa voltada para o mercado de luxo e para empreendimentos de uso misto (residencial e comercial). Dentre os principais interessados na aquisição está a empresa BR Malls, do grupo GP, conforme revelou ontem o portal da revista Exame. A BR Malls, com sede no Rio de Janeiro, administra mais de 40 shopping centers, dentre os quais o Metrô Tatuapé, em São Paulo. Procuradas, JHSF e BR Malls não quiseram comentar o assunto. Considerando o valor potencial do Metrô Tucuruvi, que está em fase de construção com inauguração prevista para 2010, os ativos estariam avaliados em R$ 424 milhões. Na divulgação do balanço do terceiro trimestre, na semana passada, a JHSF indicou que poderia - "numa eventual estratégia de reciclagem" - conseguir recursos e resultados expressivos com a venda desses ativos. Segundo fontes do mercado, a JHSF poderá se desfazer dos dois ativos de uma vez ou vendê-los separadamente. Nesse caso, a incorporadora iria aguardar a conclusão das obras do shopping do Tucuruvi para vendê-lo por um preço maior. Inaugurado em 2001, o Shopping Metrô Santa Cruz tem um faturamento de R$ 20 milhões.A venda dos dois ativo reforçaria o caixa da companhia, viabilizando planos de investimentos futuros da ordem de R$ 1,5 bilhão para os próximos três anos. Desse total, R$ 250 milhões correspondem a empreendimentos já anunciados, e o restante ainda está em estudo.Parte dos novos investimentos será custeada pela geração de caixa de projetos já lançados. Os projetos lançados, vendidos e a vender, devem gerar um fluxo de caixa operacional líquido de R$ 920 milhões nos próximos três anos. A empresa contava, ao final do segundo trimestre, com um caixa de R$ 230 milhões.Segundo fontes do mercado, a JHSF não pretende sair do segmento de shoppings. Mas os seus empreendimentos nessa área deverão ter o mesmo perfil do Parque Cidade Jardim, com o shopping servindo como uma espécie de âncora para projetos de uso misto. Empreendimento similar está sendo desenvolvido em Salvador. Com 330 mil metros quadrados, o Horto Bela Vista vai reunir 19 prédios de apartamentos, três torres comerciais, hotel, clube, escola e um shopping.A JHSF registrou lucro líquido de R$ 5,5 milhões no segundo trimestre de 2009, queda de 92,3% sobre os R$ 72,3 milhões apurados no segundo trimestre do ano passado. VENDASMesmo com o crescimento no setor de construção civil concentrado, basicamente, no segmento de baixa renda, por causa dos incentivos do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, a JHSF viu suas vendas reagirem no segundo trimestre. As vendas contratadas atingiram R$ 260 milhões, crescimento de 740% sobre o primeiro trimestre do ano. Mas o resultado foi impulsionado por um único negócio: a venda, por R$ 208,4 milhões, de 14 andares em um dos três edifícios corporativos do Cidade Jardim Corporate Center para o fundo de pensão dos funcionários da Vale, o Valia.

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