Jipões SUV perdem espaço nos EUA e viram moda no Brasil

Vendas dos SUVs no Brasil devem saltar de 41 mil unidades em 2003 para 95 mil em 2007

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

A mania de carrões está ganhando as ruas do Brasil, incentivada pela melhora da renda da população, financiamentos longos e estabilidade econômica. As vendas dos chamados utilitários-esportivos (SUV, na sigla em inglês) - modelos que se assemelham a grandes jipes, porém luxuosos, com motor potente e tração nas rodas - crescem acima dos índices do mercado total de veículos. A onda dos SUVs no Brasil ocorre num momento em que os maiores consumidores desse tipo de carro, os americanos, estão comprando carros menores por causa da disparada do preço da gasolina.Na contramão, o Brasil viu as vendas de SUVs saltarem de 41 mil unidades em 2003 para 76 mil no ano passado, número que este ano será superado. Até agosto, os negócios estavam 33% acima do resultado de igual período de 2006, com 63,3 mil unidades, e devem chegar a 95 mil unidades até dezembro. A nova opção de consumo foi notada pela indústria, que decidiu investir na produção local ou ampliar as importações.A fábrica da Hyundai em Anápolis (GO), do empresário brasileiro Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, iniciará a fabricação do modelo Tucson no segundo semestre de 2008. Hoje importado da Coréia do Sul e oferecido a partir de R$ 84,5 mil, o veículo já vendeu o dobro em relação ao ano passado inteiro."O Tucson caiu no gosto do consumidor porque é um SUV compacto, tem aceleração eletrônica, vários equipamentos e é econômico", justifica Andrade. Para produzir o veículo, que inicialmente terá 40% de peças nacionais, o empresário está investindo R$ 300 milhões na fábrica de Goiás, que já recebeu R$ 500 milhões para sua inauguração em abril. Atualmente, a fábrica produz a picape HR.Andrade projeta produção anual de 24 mil modelos Tucson a partir de 2009. Segundo ele, as vendas dos utilitários Santa Fé (989 unidades até agora) e Veracruz (350 unidades), fabricados na Coréia do Sul, também estão fortes ao ponto de ele ter dúvidas em relação ao terceiro produto que será feito na fábrica goiana. Ele estava mais propenso a produzir um sedã médio, mas admite que o terceiro veículo da Hyundai a ser feito no Brasil poderá ser outro SUV.A indiana Mahindra, que deve iniciar nos próximos dias a produção em série em Manaus (AM) após vários adiamentos, também terá entre os três primeiros veículos da família Scorpio um utilitário-esportivo que será vendido na faixa de R$ 85 mil. A Mitsubishi, vice-líder no segmento, atrás da Ford com o imbatível EcoSport, negocia com a matriz do grupo japonês a produção de mais dois utilitários no País, um em 2008 e outro em 2009.?NINGUÉM ME FECHA?"Ele é confortável, seguro e, no trânsito, sou mais respeitada, ninguém me fecha", afirma a publicitária Luciane Sabbag, 32 anos, que comprou recentemente um Kia Sportage. É seu primeiro SUV, que substituiu um compacto Peugeot 206.Com 1,77 metro de altura, ela diz sentir-se melhor dentro do modelo adquirido por R$ 80 mil para ser pago em cinco anos. "No carro menor eu me sentia espremida."Segundo a Kia, foram vendidos este ano 870 Sportage importados da Coréia do Sul, uma alta de 476,1% em relação ao mesmo período de 2006. Com fila de espera de até um mês, a GM ampliou a partir de agosto a importação de 500 para 700 unidades ao mês do Tracker, utilitário que é montado na Argentina com peças vindas do Japão. "É um segmento que praticamente não existia no Brasil, mas vem crescendo nos últimos três anos", diz Ari Kempenich, gerente de marcas da linha Chevrolet. "O consumo de gasolina de uma SUV média é equivalente ao de um sedã como o Vectra", diz Kempenich. Beberrões de combustível são as grandes SUVs, mas esses modelos ainda não chegaram ao Brasil, justificam os fabricantes. Nos EUA, onde cerca de 25% da frota é constituída por grandes SUVs, há forte campanha de ambientalistas contra esses veículos.Eles dizem que os SUVs poluem até três vezes mais que os carros pequenos, estão envolvidos em número três vezes maior de acidentes e ocupam mais espaço nas ruas e estacionamentos.Outra empresa que pretende ampliar a oferta de utilitários no Brasil é a Volkswagen, que já traz o Touareg da Alemanha, um utilitário de luxo que custa a partir de US$ 104,9 mil.A nova aposta é um modelo menor, o Tiguan, lançado este mês no Salão do Automóvel de Frankfurt, na Alemanha. Ainda não está definida a data de sua chegada ao País, informa a assessoria da Volks.

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