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‘João Cândido’ vai ao mar, 2 anos depois

Transpetro diz que multou o Estaleiro Atlântico Sul pelo atraso na entrega do navio, mas se recusou a divulgar o valor da multa 

Sergio Torres, enviado especial de O Estado de S.Paulo,

25 de maio de 2012 | 23h05

IPOJUCA - A Petrobrás Transporte (Transpetro) anunciou ter multado o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) pela entrega, com dois anos de atraso, do navio João Cândido, lançado ao mar ontem em Ipojuca (a 57 km do Recife). O presidente da subsidiária de logística e transportes da Petrobrás, Sérgio Machado, recusou-se a divulgar o valor da multa, sob alegação de que o contrato com o EAS veta a divulgação.

A informação sobre a multa foi dada por ele em entrevista logo após a cerimônia que marcou a incorporação do petroleiro à frota da Transpetro. No discurso de quase 15 minutos, momentos antes, Machado fez elogios ao EAS e aos trabalhadores envolvidos na construção do navio. Não abordou a questão da multa.

O presidente disse que em cerca de um mês o EAS deverá apresentar um documento com as justificativas para o atraso. Em tese, o valor da multa poderá ser reduzido e até extinto, hipótese que não é considerada pela Transpetro, segundo assessores diretos de Machado.

A cerimônia de ontem ocorreu dois anos e 18 dias depois da solenidade na qual o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua pré-candidata à presidência, Dilma Rousseff, comemoraram a suposta conclusão do petroleiro. Porém, o João Cândido voltou ao estaleiro para reparos que duraram 24 meses.

A multa leva em conta um atraso de 20 meses. Embora o petroleiro tenha sido lançado ao mar em maio de 2010, pelo contrato entre a Transpetro e o EAS, o prazo-limite para a entrega seria em setembro daquele ano.

Estaleiro virtual que está sendo construído simultaneamente às suas encomendas, o EAS não quis se pronunciar sobre as multas. Por contrato, ele se comprometeu a construir 22 petroleiros e 7 navios-sondas, além de serviços navais na plataforma P-62. O segundo navio em construção, o Zumbi dos Palmares, também está atrasado. O EAS informou que o petroleiro está 97% pronto e deverá ser entregue até o fim do ano.

Em discurso, o presidente do EAS, Otoniel Reis, minimizou a demora na entrega do João Cândido. Segundo ele, o atraso é similar ao verificado em outros países onde há indústria naval. "O atraso da primeira encomenda é praticamente uma regra geral em todo o mundo", afirmou.

O João Candido é o primeiro navio entregue dos 22 encomendados ao EAS pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro. Custou R$ 363 milhões, de acordo com a subsidiária da Petrobrás.

Com capacidade para transportar 1 milhão de barris, mede 274 metros de comprimento e pesa 156 mil toneladas de porte bruto (peso da embarcação mais a carga máxima). Ontem mesmo zarpou do cais do EAS rumo ao Campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos (litoral do Estado do Rio), onde os tanques serão abastecidos. Depois, vai para o Porto de São Sebastião (SP).

Para Sérgio Machado, que disse ter chorado ao ver o petroleiro afastar-se aos poucos do continente, a indústria naval brasileira passa por fase de transição, "da inércia à produtividade". "Eu, que recebo visitas de (representantes de) diversos estaleiros do mundo, me lembro: na primeira viagem ao exterior para visitar estaleiro, era recebido pelos porteiros, porque ninguém acreditava no Brasil", disse Machado, que previu o sucesso internacional da indústria naval brasileira.

"A Embraer levou quanto tempo para ser viável? (...) Hoje é a terceira maior empresa de produção de avião no mundo. Não vai ser diferente com a gente. (...) Não tenho a menor dúvida."

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