Jobim ajuda Dassault a vender o Rafale aos árabes

No mais absoluto sigilo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, está dedicando parte de seu tempo a uma atividade inusitada: convencer os governos da Líbia e dos Emirados Árabes a fechar a compra de um megalote de 74 aviões Rafale, idênticos aos considerados favoritos na concorrência para o reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB), fabricados pela francesa Dassault.

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

Jobim, na verdade, vai atuar mais como um bombeiro na empreitada, ameaçada de naufragar, tentando "salvar" a negociação entre os árabes e o fabricante francês. Explica-se: as conversações, que aconteciam em céu de brigadeiro, azedaram por conta de um artigo publicado no jornal parisiense Le Figaro, cujo proprietário é ninguém menos do que o empresário Serge Dassault, dono da empresa aeronáutica. Segundo o Figaro, os Emirados Árabes estariam encomendando equipamentos de vigilância eletrônica a Israel para se proteger de um eventual ataque aéreo do Irã.

Dá para se imaginar a repercussão da notícia sobre a transação com o arquirrival no mundo árabe. "O senhor Dassault nos apunhalou pelas costas", reclamou o ministro da Defesa dos Emirados, Bin Zaid Nahyan, que subitamente começou a elogiar os caças F-18, da Boeing, concorrente da Dassault.

Para o governo francês, que tenta a todo custo emplacar o Rafale no mercado internacional (até agora, o modelo só foi adquirido pela força aérea francesa), o episódio foi preocupante, principalmente porque os Emirados comprariam 60 das 74 aeronaves. "Caímos num buraco negro", afirmou o ministro da Defesa da França, Hervé Morin.

Abatimento. Daí à solicitação dos préstimos do colega Jobim, foi um pulo. O ministro brasileiro, porém, não vai trabalhar de graça. Caso consiga fazer com que árabes e franceses voltem a sentar-se à mesma mesa e concluam o negócio, Jobim recebeu a promessa de que obterá um substancial abatimento na fatura dos 36 aviões que a FAB deve adquirir da Dassault.

A conta, aliás, vem caindo antes mesmo da confirmação da encomenda: orçado inicialmente em US$ 7 bilhões, o lote já custa em torno de US$ 5 bilhões, com tecnologia e tudo.

TECNOLOGIA

Setor financeiro deverá aumentar gastos em 2011

Mais da metade das empresas do setor financeiro deverá aumentar seus orçamentos de tecnologia da informação (TI) em 2011. A previsão é de uma pesquisa realizada pela consultoria IDC com 62 instituições - 33 bancos e 29 seguradoras. Segundo o estudo, 54% das empresas informaram que estão dispostas a aplicar mais recursos em TI em relação a 2010. "A pesquisa apontou também que para os bancos a prioridade é o aumento da eficiência operacional, enquanto que para as seguradoras é o aumento da receita", diz Roberto Gutierrez, diretor de consultoria da IDC Brasil. No ano passado, o setor financeiro, que individualmente é um dos principais clientes do setor, investiu R$ 11 bilhões na área de TI. De acordo com Gutierrez, a IDC constatou, ainda, que os grandes bancos continuam evitando a terceirização do seus sistemas chave.

PORTOS

Terminal de Navegantes já faturou R$ 360 milhões

O Terminal Portuário de Navegantes, administrado pela Portonave, completa hoje três anos de operações, acumulando um faturamento de R$ 360 milhões, graças à movimentação de 1,1 milhão de TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. O terminal, que tem entre seus controladores a Triunfo Participações, de São Paulo, está localizado na margem esquerda do rio Itajaí, no litoral de Santa Catarina. Desde 2007, cerca de 1,4 mil embarcações já atracaram no cais do porto, que recebeu investimentos de R$ 450 milhões.

ECOMARKETING

Grupo Ouro Verde vai alugar carro híbrido

O grupo paranaense Ouro Verde, especializado em transporte e terceirização de frotas, está recebendo dois veículos Toyota Prius - híbrido que é movido a energia elétrica e/ou gasolina, fabricado pela montadora japonesa. Um deles será utilizado por executivos do banco HSBC, de Curitiba.

Segundo Karlis Kruklis, presidente da Ouro Verde Transporte e Logística, a ideia é aumentar gradualmente a participação desse tipo de veículo em sua frota de 12 mil automóveis. Além disso, o Ouro Verde prepara o lançamento de um serviço de locação de equipamentos usados na construção civil, focando clientes como os grupos Camargo Corrêa e Odebrecht. O projeto integra o plano de investimentos do grupo, controlado pelo empresário Celso Frare, estimado em R$ 300 milhões. Suas receitas devem atingir R$ 540 milhões em 2010.

IMÓVEIS

A renovação do Largo da Batata

FARMACÊUTICA

US$ 69,6 bi

é quanto a Pfizer gastou em aquisições nos últimos dois anos. A primeira foi a compra da Wyeth, no valor de US$ 68 bilhões, em janeiro do ano passado. A segunda, a incorporação da King Pharmaceuticals na semana passada

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.