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Jobim descarta privatização da Infraero

Ministro diz que controle do capital da empresa é estratégico para o governo

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

29 de fevereiro de 2008 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, descartou ontem a possibilidade de privatização da Infraero, a estatal que administra os principais aeroportos brasileiros. Para Jobim, o controle do capital da empresa pela União é uma questão estratégica. ''''Os investimentos nessa área são todos estratégicos e isso não é compatível com a administração privada'''', afirmou.Ele observou que muitos dos investimentos necessários no setor não têm rentabilidade. ''''Isso é uma coisa que tem que ser do Estado, que é o que acontece hoje. Quando você aporta capital da União para a Infraero ampliar aeroportos, como na Amazônia, sabemos que são investimentos absolutamente necessários, mas não trazem rentabilidade ao capital investido.''''O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estaria estaria fazendo estudos para a privatização da Infraero ou abertura de capital à iniciativa privada, no limite de 49%. Antes disso, o banco teria de criar um plano de reestruturação da empresa.Segundo o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, os estudos têm a Petrobrás como modelo. Ou seja, o governo quer uma companhia com ações em Bolsa e controle acionário da União. ''''Nossa perspectiva é essa: garantir a maioria da ações'''', afirmou.Gaudenzi disse que a expectativa do governo é de que a abertura de capital da Infraero ''''demore de dois a três anos''''. Ele afirmou ser importante a injeção de recursos na estatal via novos acionistas, lembrando que isso gera uma fiscalização mais ativa da empresa, que também ganha agilidade. ''''Para nós a Petrobrás é o modelo ideal'''', afirmou. ''''Privatização é complicado, até porque nós temos aeroportos altamente rentáveis e outros não. Portanto, não advogo a tese da privatização.''''Ele também acredita que manter o controle governamental da Infraero é questão estratégica. Segundo Gaudenzi, a empresa administra 67 aeroportos, dos quais apenas 12 são rentáveis e 55 precisam da ajuda do governo.O governo, entretanto, tem certeza de que o atual modelo autárquico da Infraero está esgotado, disse. ''''Não é possível administrar 67 aeroportos como autarquia, com todos os entraves para dirigir uma área que precisa de rapidez de atendimento. Esse modelo precisa ser substituído pela abertura de capital e teremos de preparar a empresa para isso com uma completa reestruturação'''', afirmou.PRIVATIZAÇÃOO ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse ser favorável à privatização da Infraero. ''''Eu, pessoalmente, e como ministro também, defendo que a Infraero seja totalmente privatizada'''', disse. Segundo ele, no mundo todo os aeroportos são geridos por empresas privadas e os sistemas de vôo, controle aéreo e as pistas estão nas mãos do Estado.Miguel Jorge disse que defende o controle estatal apenas em áreas estratégicas. ''''Lojas, estacionamento e escada rolante não são estratégicos.'''' Em sua opinião, o sistema atual gerou uma ''''deformação'''', como a que ocorreu em Congonhas.A última grande reforma em Congonhas foi feita para que se pudesse ampliar espaços para locação. ''''A pista não teve reforma'''', afirmou, ao lembrar o acidente da TAM, em julho.A vantagem da privatização para o usuário, disse, seria o governo ter verba para aplicar em ações como a reforma de pistas. Para ele, se isso tivesse ocorrido, a situação nos aeroportos do País ''''seria melhor do que temos hoje''''.COLABOROU CLEIDE SILVA

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