Tom Brenner/ Reuters
Tom Brenner/ Reuters

Joe Biden anuncia pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão

Presidente eleito dos EUA pede pressa na aprovação de plano que disse ser ‘ambicioso’, mas capaz de salvar o país

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 22h09

WASHINGTON - O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, detalhou nesta quinta-feira, 14, seu Plano de Resgate Americano que pode chegar a US$ 1,9 trilhão para ajudar os americanos a resistirem ao choque econômico da pandemia do coronavírus e injetar mais dinheiro em testes e distribuição de vacinas.

“Não é difícil ver que estamos no meio de uma crise econômica que ocorre uma vez em várias gerações com uma crise de saúde pública que ocorre uma vez em várias gerações. Uma crise de profundo sofrimento humano está à vista e não há tempo a perder”, disse Biden em seu discurso para anunciar seu pacote de estímulos. “Não podemos ficar de braços cruzados.”

Biden pede urgência ao Legislativo e afirma que o pacote é “ambicioso”, mas viável e capaz de salvar o país. O principal foco da proposta é na vacinação e no alívio para os cidadãos, com o pagamento de cheques no valor de US$ 1.400, que devem se somar aos US$ 600 já aprovados em dezembro. 

O presidente americano afirmou que US$ 440 bilhões de seu plano de resgate devem ter como destino comunidades que estão sofrendo mais com a crise. Após esse “primeiro passo”, divulgado nesta quinta, nas próximas semanas será anunciada uma proposta de “reconstrução” para a economia dos Estados Unidos. O foco estará na criação de trabalhos “bem pagos”, no combate às mudanças climáticas e na promoção de igualdade racial.

Outra proposta é o aumento do salário mínimo no país para US$ 15 a hora, visto que muitos dos trabalhadores com remuneração mais baixa estiveram mais vulneráveis na pandemia. Atualmente, esse nível de salário é considerado o mínimo apenas em alguns Estados, como Nova York, em outras regiões os valores são mais baixos.

“Prover aos pequenos negócios o necessário para reabrir e reconstruir”, é uma das propostas de Biden. A expectativa é facilitar acesso a crédito no total de US$ 175 bilhões para as empresas de menor porte, além de US$ 35 bilhões em investimento direto. O número de empresas que o programa tem o objetivo de alcançar é maior que 1 milhão, dentre as “mais atingidas pela crise”.

Pandemia

Uma das ações práticas previstas é a contratação de 100 mil funcionários para trabalharem na linha de frente nos serviços de saúde durante a pandemia. Em termos de verbas, a proposta prevê o destino de US$ 35 bilhões para universidades se adaptarem estruturalmente aos protocolos de saúde exigidos. Outros US$ 30 bilhões serão investidos em fundos de alívio a desastres e US$ 10 bilhões em indústrias ligadas a equipamentos do combate à pandemia do novo coranavírus.

Uma preocupação presente no plano são os ataques cibernéticos, aos quais os Estados Unidos foram vítimas recentes. A proposta de Biden prevê US$ 9 bilhões para a área, com o intuito de “modernização e expansão” dos serviços federais.

Para a vacinação, Biden prevê US$ 20 bilhões para parcerias com administrações locais. Outro foco do presidente é a reabertura de escolas, e o investimento em infraestrutura para se adequar aos protocolos da pandemia conta com US$ 130 bilhões do pacote, a fim de realizar uma “reabertura com segurança”.

A testagem para a covid-19 foi mencionada como outra prioridade, importante para que as escolas possam reabrir, área na qual o plano prevê US$ 50 bilhões. Em vista das novas variantes do coronavírus encontradas no Reino Unido e na África do Sul, Biden afirma que espera expandir “criticamente” a capacidade de sequenciamento do país. 

Apoio

Biden disse que trabalhará para ter o apoio republicano para seus planos. Mas os principais democratas na Câmara e no Senado estão se preparando para enfrentar um processo parlamentar conhecido como reconciliação orçamentária, caso consigam obter apenas uma maioria simples no Senado. Os republicanos usaram esse procedimento para contornar uma obstrução e aprovar os cortes de impostos do governo Trump em 2017. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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