ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Jogos do Corinthians são raridade

Sem oportunidades de emprego, engenheiro aposentado viu sua renda ser achatada

Raquel Brandão e Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2016 | 05h00

Sérgio Fernandes deixou de frequentar jogos de futebol do seu time de coração e de passear no shopping com a esposa nos finais de semana. As contas ficaram mais difíceis de fechar depois de junho de 2015, quando ele perdeu o emprego em uma montadora em São Paulo. Desde 2009, ele trabalhava na empresa com auditoria e inspeção dos veículos. Foi assim que percebeu, ainda no começo de 2015, que a economia do País enfrentaria uma crise mais intensa do que se esperava, ao notar cada vez menos caminhões subindo o pátio.

Desde a demissão, apesar de seus esforços, nenhuma oportunidade surgiu. Por isso, o plano de associado do tradicional clube Juventus, na Mooca, foi uma das primeiras despesas cortadas. A casa de veraneio, no interior de São Paulo, também foi colocada à venda e as idas ao estádio do Corinthians se tornaram raridade. Aos 68 anos, Sérgio conta com a aposentadoria, que recebe há seis anos, mas ainda assim o orçamento da família teve de ficar mais enxuto. Hoje, o engenheiro mora com a mulher e o sogro de 88 anos. Os dois filhos já saíram de casa. “Nesse tempo desenvolvi melhor meu ‘papel de marido’ e pintei todo o apartamento”, brinca. 

Além da ajuda em casa, Sérgio tem apostado nos estudos para manter a mente ativa e o ânimo. Entre abril e maio, ele fez um curso para aprimorar o conhecimento das regras de inspeção de qualidade. O próximo curso será de automóveis, sua paixão desde que conseguiu o primeiro estágio, quando participou lançamento do icônico Maverick no Brasil, em 1973.

Apesar das projeções para o próximo ano não apontarem nenhuma melhora expressiva no desemprego, Sérgio mantém o otimismo. “A gente sempre luta para vencer os pensamentos negativos e acho que, apesar da idade, alguém vai me encontrar e me dar oportunidade”, diz. 

 

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