Joint venture no setor vai gerar discussões duras

Criação de uma segunda joint venture pela Embraer e pela Boeing, para tratar dos programas de Defesa, vai exigir um ciclo próprio de discussões complexas

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 23h44

A criação de uma segunda joint venture pela Embraer e pela Boeing, para tratar dos programas de Defesa, vai exigir um ciclo próprio de discussões complexas. Embora o modelo proposto nesta quinta-feira, 05, mantenha o controle em poder da Embraer Defesa e Segurança (EDS), não foi isso o combinado no início das negociações entre a Força Aérea e o governo, detentor da golden share.

Em uma primeira conversa, foi esclarecido ao governo que as atividades do setor militar, abrangendo a EDS e as demais organizações da área – Savis (monitoramento de fronteira), Visiona (sistemas espaciais),e Atech (soluções para missões críticas) – ficariam de fora de uma terceira empresa de capital binacional que eventualmente viesse a ser constituída. “Não teriam participação”, afirmou quarta-feira a parlamentares, em Brasília, o brigadeiro Nivaldo Rossato, comandante da Aeronáutica. Segundo ele, o viés dos interesses da Defesa, “ficou blindado, vamos dizer assim”.

Aparentemente, a disposição de incluir a EDS nas tratativas entre os dois conglomerados não era esperada.

Outro integrante do Alto Comando da FAB considerou adequada, sim, uma parceria de negócios com a Boeing, porém limitada a promover e vender “produtos comercialmente promissores”, como o KC-390. Para o oficial, há iniciativas sensíveis na EDS, como o contrato de compra de 36 caças suecos Gripen NG, com transferência de tecnologia para a Embraer. Parte do projeto será construído em Gavião Peixoto, onde há um avançado bureau de engenharia em conjunto com o fornecedor da Suécia. Quando o contrato foi assinado não se cogitava joint venture entre Embraer-Boeing.

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