Joint venture produzirá diesel de cana no País

Parceria entre Amyris, dos EUA, e brasileira Crystalsev vai operar duas plantas-piloto já em 2009

Marianna Aragão e Tatiana Freitas, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

A Amyris, empresa de biotecnologia do Vale do Silício e a Crystalsev, segunda maior comercializadora de álcool e açúcar do País, anunciaram ontem a criação de uma joint venture para produzir diesel a partir da cana-de-açúcar no Brasil. A nova companhia vai inaugurar em junho um centro de pesquisa e desenvolvimento em Campinas (SP) e, até o ano que vem, começa a operar duas plantas-piloto, uma na Califórnia e outra na cidade paulista. A previsão é de que a produção em escala comercial do combustível, compatível com os motores em uso atualmente, comece em 2010.Não foi revelado quanto será investido no projeto, mas, segundo o diretor-geral da Amyris-Crystalsev, Roel Collier, a cifra "fica na casa dos dez em termos de milhões de dólares". A Amyris - empresa que tem como investidores os fundos de private equity Kleiner Perkins, que também apostou em empresas como Google e Amazon, Khosla Ventures, cujo fundador criou a Sun Microsystems, e TPG Biotech - tem participação de 70% no negócio. O restante fica com a Crystalsev, cujo acionista majoritário é o grupo Santelisa Vale.CENTRO DE PESQUISAA Santa Elisa, principal usina da Santelisa Vale, será a primeira cliente da nova companhia. Para produzir o diesel renovável, porém, terá de fazer adaptações à sua estrutura, com custos entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões. A Santelisa informou que vai fornecer dois milhões de toneladas de cana-de-açúcar para o projeto. A partir de 2011, os empresários querem vender a tecnologia e construir outras usinas.Para produzir em escala, a joint venture abrirá um centro de pesquisa e desenvolvimento, em junho, no Technopark, em Campinas. A região, conhecida por ser um pólo de inovação, está localizada entre São Paulo e o principal centro sucroalcooleiro brasileiro, Ribeirão Preto (SP). A maioria dos profissionais será recrutada no País. "Vamos aproveitar o corpo técnico local, mas também fazer intercâmbios entre os profissionais daqui e da Califórnia", disse o diretor-geral Roel Collier.Segundo Collier, o objetivo inicial é vender para o mercado doméstico. O Brasil importa diesel e estima-se que o consumo do produto suba de 45 bilhões de litros, em 2007, para 80 bilhões de litros em 2020. "A demanda por esse tipo de combustível vai aumentar ainda mais", afirmou. Apesar de a plataforma comercial ficar no Brasil, os executivos não descartam levar o conceito para outros países. "Escolhemos o Brasil por oferecer a matéria-prima mais sustentável e pela liderança na área de biocombustíveis." A empresa também tem planos de produzir gasolina e combustível de aviação com base na mesma tecnologia. Segundo o presidente da Amyris, John Melo, o custo de produção do novo diesel é competitivo com o do combustível fóssil. Ainda segundo o executivo, o biodiesel feito a partir da cana é mais eficiente em baixas temperaturas do que o fabricado com óleos vegetais. A tecnologia para os novos produtos foi desenvolvida por quatro pesquisadores-fundadores da Amyris, nascida na Universidade Berkeley, na Califórnia, em 2003, com o objetivo de produzir um medicamento para a malária. Há dois anos, eles descobriram que os microorganismos utilizados para desenvolver a tecnologia contra a doença tinham propriedades parecidas com as do diesel convencional. De lá para cá, passaram a estudar sua aplicação na produção do novo biocombustível.

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