Jornais argentinos destacam negociações com o Brasil

Os principais diários argentinos destacam o acordo entre Brasil e Argentina para evitar a aplicação de medidas restritivas mais severas à exportação de fogões e geladeiras para a Argentina. Segundo o Clarín, os entraves à entrada de eletrodomésticos brasileiros foram "leves" e "menores do que as esperadas por produtores argentinos".O jornal diz que o Brasil pretendia manter a fatia de 30% que possui do mercado de exportação de fogões para a Argentina. Os produtores argentinos defendiam que o máximo permitido para a participação brasileira fosse de 18%. O acordo final fixou um percentual de 22%.Em relação à exportação de geladeiras, o jornal frisa que as negociações fixaram um limite de 285 mil para este ano e cerca de metade desta quantia para o primeiro semestre do ano que vem. Os argentinos queriam um limite de 260 mil. A proposta brasileira era de 310 mil.O Clarín afirma que um acordo era imprescindível para que o governo abrisse mão das medidas que pretendia implementar para restringir a entrada desses produtos na Argentina. Segundo o Clarín, "o argumento oficial era que a importação de eletrodomésticos do Brasil havia se convertido em uma ameaça para a produção local".Já o La Nacion frisa que se trata de um acordo parcial, uma vez que não se chegou a um acordo relativo a máquinas de lavar roupa. Discussões sobre o tema estavam previstas para a rodada de negociações desta sexta-feira.No ritmo do tangoO La Nacion traz ainda uma entrevista com o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Na entrevista, intitulada Vamos Preservar o Mercosul, Garcia se mostra diplomático e faz até citações ao tango argentino Nostalgias, de Enrique Cardícamo. "Os que estavam apostando em uma crise no Mercosul, que são os que defendem o Alca, agora podem embriagar seu coração, como diz o tango", disse Garcia.Indagado pelo jornal por que o Brasil "decidiu não endurecer sua posição e ´pagar a conta´ de uma auto-restrição a seus produtos", Garcia disse ser porque o Brasil está "apostando em uma aliança estratégia para a região". Segundo ele, essa é a "única forma de enfrentar o cenário internacional, hoje muito desfavorável aos emergentes".

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