Jornais destacam encontro de Kirchner e Lula

A visita do presidente Néstor Kirchner ao Brasil foi a principal manchete dos jornais argentinos nesta quinta-feira. O La Nación utilizou um quarto de sua capa para destacar duas manchetes sobre o assunto: "Kirchner e Lula destravam as diferenças comerciais - Brasil aceitou um mecanismo para limitar exportações que afetem a produção argentina" e "Um gesto forçado pelas queixas". Na primeira, o jornal constata que "se houve desencontros, mal estar, raivas ou crises, hoje se dissiparam. Como o caminho da Argentina e Brasil por um momento pareceu tomar destinos diferentes, e como o Mercosul se viu por estes dias mais cambaleante que firme, os presidentes Néstor Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva se ocuparam ontem de endireitar o rumo. Pelo menos por agora".Na segunda, o jornal faz uma análise da notícia, na qual encadeia a série de fatores, como o "Uruguai, que ameaça negociar por fora do Mercosul, está em alta tensão com a Argentina, que lhe fazia reivindicações duras ao Brasil, que recebe queixas do Paraguai". E a compara com o título do hilariante filme do espanhol Pedro Almodóvar: "num clima de família à beira de um ataque de nervos" , para justificar a decisão do presidente Lula de "fazer um gesto político e apagar o rastilho em uma das piores e já crônicas crises do Mercosul".La Nación afirma que Lula conseguiu dissipar as negras nuvens: "em lugar de um Néstor Kirchner que ia embora antecipadamente das reuniões convocadas pelo Brasil ou fazia discursos inflamados contra sócios que "ficam com todas as vantagens", em óbvia referência ao Brasil, "Kirchner derreteu-se ontem em tantos elogios sobre Lula que até despertou olhares de surpresa entre as dezenas de jornalistas de várias partes do mundo que escutavam seu discurso. Parecia outro Kirchner".O Clarín estampou em sua machete de capa: "Kirchner e Lula, ao resgate do Mercosul - Saíram a fortalecer a aliança - E reconheceram que Uruguai e Paraguai devem receber também os benefícios da união regional. Lula prometeu firmar uma cláusula que protege as empresas argentinas de exportações brasileiras". O Clarín afirma que "passadas as desconfianças de Kirchner diante da busca de projeção internacional de Lula e a distância que o mesmo Lula havia tomado da negociação argentina com o FMI, a relação se afirmou; os presidentes têm aprendido a conviver. Como se lhes reclamava, Kirchner e Lula trabalharam ontem como líderes de uma agenda regional".O Página 12 utilizou praticamente toda a sua capa com a notícia sobre o encontro de Kirchner e Lula, que "reconheceram as assimetrias no bloco regional e a responsabilidade que as economias maiores têm para favorecer as menores". Com a foto de ambos presidentes segurando as camisetas de seus times favoritos, o Página publicou o sugestivo título: "Repartir o jogo". Entre os jornais econômicos, o El Cronista afirma que Kirchner e Lula "estão mais próximos do que nunca".Entre as suas três páginas publicadas sobre o assunto, o jornal destacou algumas declarações da ministra de Economia, Felisa Miceli, de que a "Argentina ganha do Brasil" em termos de concessão de créditos. Segundo ela, "as empresas argentinas estão em melhor situação que as brasileiras".O Ámbito Financiero também utilizou praticamente toda a sua capa sobre a cobertura da cúpula Kirchner-Lula e destes dois com Hugo Chávez. O Infobae optou por um título político ao afirmar que "Kirchner liderou a negociação no Mercosul, tal como fez com a inflação. O presidente tomou as rédeas da política comercial com o objetivo de manter em alta os índices da economia".

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