Jornais populares mudam o mercado da mídia impressa no País

Os chamados jornais populares estão transformando o mercado de mídia impressa brasileiro. No ano 2000, havia 5 publicações populares entre os 20 títulos de maior circulação no País. Neste ano, essa participação praticamente dobrou: das 20 maiores tiragens, 9 pertencem a jornais populares. "As publicações para a classe B/C/D têm ainda muito espaço para crescer no Brasil", afirma o consultor Julio César Sampaio, que realizou uma palestra na manhã desta quarta-feira no 6.º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado em São Paulo pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).Sampaio vê no Plano Real o início do cenário que permitiu o fortalecimento dos títulos populares. Com o controle da inflação a partir de 1994, vieram também maior abertura comercial, maior oferta de crédito e aumento do poder de consumo da população. Esses fatores permitiram a ampliação da chamada classe média, ou seja, a classe C aumentou e as classes D e E encolheram, criando oportunidade para a oferta de jornais baratos a uma parcela da população que, em alguns casos, estava fora do público-alvo das empresas de mídia impressa."Olhando a base da pirâmide social, vemos que 54 milhões de brasileiros ganham até 2 salários mínimos por mês e 44 milhões recebem entre 2 e 4 mínimos", diz Sampaio, avaliando que o potencial de consumo das classes B, C e D, somados, chega a US$ 222 bilhões por ano.O jornalismo de sangue e sexo da época do paulistano Notícias Populares, no entanto, foi aposentado. "Este era um jornal que ninguém levava para casa", lembra o consultor, enumerando as características do antigo jornal popular: predominantemente masculino, dava destaque ao grotesco, à violência e ao sexo e era apelativo.Agora, explica Sampaio, o jornal popular está de cara nova: é um jornal com notícias "quentes", oferece serviço ao leitor, esportes, economia popular, notícias sobre trabalho e muitas promoções. Além disso, tem design vibrante, destaque no ponto-de-venda, distribuição flexível e textos curtos e diversificados.Atualmente, os mercados que têm maior influência dos títulos populares são os de Porto Alegre e Rio de Janeiro. De acordo com Sampaio, as empresas saem ganhando ao reduzir custos e elevar participação de mercado. " O jornal está vivo, crescendo"A provocação veio da última capa da revista britânica The Economist: "Quem matou o jornal?" A resposta foi dada nesta quarta pelo presidente da Associação Mundial de Jornais (WAN), Timothy Balding. "O jornal está longe de estar morto. Ele está vivo e crescendo." Em palestra no Congresso em São Paulo, Balding apresentou uma série de estatísticas para sustentar que os jornais impressos de todo mundo estão reagindo a problemas como queda de tiragem e de faturamento. A WAN realizou pesquisa com jornais de 216 países e territórios. "A conclusão é de que a circulação está aumentando no mundo inteiro", afirmou. "Nos últimos cinco anos até 2005, a circulação cresceu 8,1%." João Roberto Marinho, das Organizações Globo, também contestou o enfoque da The Economist. "O título deveria ser ´quem reinventou o jornal´", afirmou. "Os jornais estão crescendo no Brasil e na América Latina." De acordo com a WAN, há 7,8 mil jornais impressos e de distribuição paga e gratuita no mundo. Segundo Balding, a tiragem total em 2005 foi de 439 milhões de exemplares. Somando os jornais gratuitos, essa tiragem pulou para 464 milhões. Os jornais gratuitos, ressaltou o presidente da WAN, são a face mais visível da recuperação do setor. "Não passa uma semana sem que haja o lançamento de um gratuito no mundo", afirmou. Outra saída encontrada pelas empresas de comunicação é a recuperação do mercado de classificados com ações na internet. "De 2001 a 2005, os jornais conseguiram expandir seu público em 200% por meio da internet",disse Balding. A redução de formato também tem ajudado as empresas a cortar custos e tornar a leitura mais leve e agradável. "Jornais que adotam o formato tablóide ou berlinês apresentam um aumento de tiragem", disse Balding. "Mas não temos dados ainda para afirmar com certeza que esta é uma tendência".

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