Jornal de 250 anos sobrevive à era da internet

Jornal de 250 anos sobrevive à era da internet

'Hartford Courant', que já ganhou um processo movido por Thomas Jefferson, teve entre os seus colaboradores o escritor Mark Twain e mantém público fiel com noticiário local

Christine Haughney, The New York Times

27 de outubro de 2014 | 16h10


Num momento em que muitos jornais lutam apenas para sobreviver, é difícil imaginar que eles possam durar mais um século.

Mas o Hartford Courant, que publicou sua primeira edição em 29 de outubro de 1764, vai celebrar seu aniversário de 250 anos essa semana. Thomas Green, fundador do jornal, começou a imprimir uma edição de página única daquele que então se chamava Connecticut Courant.

De acordo com uma reportagem da redação do Courant, boa parte do jornal da época trazia notícias de fora de Hartford, incluindo o crescente descontentamento com o domínio britânico, e informações a respeito de leilões de escravos e bebidas alcoólicas, bem como anúncios procurando animais perdidos.

No decorrer dos anos, suas páginas se encheram de nomes memoráveis da história: George Washington publicou um anúncio para arrendar parte de sua terra em Mount Vernon. Thomas Jefferson perdeu um processo por difamação movido contra o jornal. Mark Twain passava na redação e escrevia para o Courant de tempos em tempos.

Durante boa parte do ano, o Courant vem publicando mensalmente edições especiais a respeito de temas de importância para o estado como raça e igualdade, inovação em Connecticut, e artes e cultura popular. Na noite de sexta feira, foi realizado um baile de gala com os políticos eleitos do estado de Connecticut.

Na quarta feira o jornal oferecerá um bolo de aniversário e coquetéis aos funcionários. A Sociedade Histórica de Connecticut também preparou para este mês uma exposição sobre o Courant que mostra uma prensa antiga e um exemplar da primeira edição do jornal.

Embora os leitores tenham respondido aos cadernos com elogios, as celebrações ajudaram o Courant financeiramente. Nancy Meyer, editora e diretora executiva do jornal, disse que a cobertura do aniversário atraiu novos anunciantes como os New York Yankees, os Boston Red Sox e a United Technologies, que desejavam patrocinar e anunciar nas edições especiais.

"A ideia certamente gerou receita", disse Nancy.

Embora o aniversário não seja capaz de trazer de volta os assinantes da edição impressa, o Courant conseguiu reter uma massa crítica desses leitores. De acordo com a Aliança pelas Auditorias na Mídia, que acompanhou a tiragem do Hartford Courant desde 1919, a tiragem de domingo do jornal chegou ao ápice em 1993, com 323.892 exemplares. O mais recente demonstrativo editorial do Courant mostra que sua tiragem total de domingo é de 180.584 exemplares, e a tiragem média de segunda a sexta feira é de 120.473 exemplares.

Nancy credita a longa sobrevivência do Courant em parte aos hábitos de leitura dos moradores de Connecticut. Um porta-voz da Tribune Publishing, dona do Hartford Courant, disse que Hartford e New Haven estão entre os locais com maior concentração de adultos que leem jornais diários toda semana.

Diana McCain, diretora do Centro de Pesquisa da Sociedade Histórica de Connecticut, disse que, ao longo das décadas, o Courant tentou se manter adaptável, "seja ao passar da publicação semanal para a diária em 1837 ou ao expandir suas operações para a internet 150 anos mais tarde".

Maurice Carroll, diretor do Instituto de Pesquisa de Opinião da Universidade Quinnipiac, diz que o Courant sobreviveu numa época em que muitos outros jornais desapareceram porque o jornal sabe entender o quanto os moradores de Connecticut desejam receber notícias sobre suas comunidades.

"O Hartford Courant parece entender isso", disse Carroll. "Eles trazem a cobertura do noticiário local. Cobrem a vizinhança."/Tradução Augusto Calil

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