Jornal gratuito Metro deixa de circular na Espanha

A imprensa europeia foi tomada por um sinal de alerta ontem. O grupo Metro International fechou seu jornal gratuito na Espanha, em uma demonstração de que a crise afetará todos os setores e que pode colocar em questão a sobrevivência dos jornais que dependiam apenas de publicidade. Em vários países europeus, a crise está fazendo vítimas no setor da mídia. Na França, o governo chegou a montar um pacote de milhões de euros para tentar salvar o setor. Entre as medidas estava até mesmo a distribuição gratuita de assinaturas dos jornais para jovens de menos de 18 anos, além de um incremento da publicidade estatal nos jornais.Na Espanha, a crise seria ainda mais profunda. O grupo Metro se transformou em pouco tempo na terceiro maior empresa de jornais do mundo. Mas, com uma queda de 35% na publicidade em seu jornal na Espanha, não teve outra opção senão a de fechá-lo, depois de ter investido mais de 25 milhões no mercado espanhol. O jornal foi lançado em 2001 e, em 2004, já dava lucros. Em um comunicado, a empresa admite até mesmo que opções de aquisições de outros jornais gratuitos na Espanha foram rejeitadas, pois a consolidação não conseguiria reduzir as perdas. Com um desemprego de 15% na Espanha e recessão, empresas cortaram publicidade e o modelo de jornais baseados nessa renda começa a dar sinais de fraqueza.Na Espanha, o grupo alegava contar com 1,8 milhão de leitores. No mundo, circula já em 150 cidades em 22 países. O grupo também afirma ter mais de 22 milhões de leitores diários. PREOCUPAÇÃONa Europa, o fechamento do jornal foi visto como um sinal de que meios que dependiam exclusivamente de publicidade serão os mais afetados na recessão no continente.Na França, um levantamento feito pela consultoria TNS revelou nesta semana que o número de páginas de anúncios nos jornais do país havia sofrido uma queda de 5%. Nas revistas, a queda foi de 17%, enquanto nos jornais gratuitos houve uma redução de 13%. Na Inglaterra, os dois jornais gratuitos distribuídos em Londres admitem que estão sofrendo graves prejuízos. Nos Estados Unidos, o jornal de distribuição gratuita Baltimore Examiner também ameaça fechar suas portas.

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