Jornal inglês cobra ajuda dos EUA à América Latina

Os Estados Unidos precisam mudar a postura em relação à América Latina, apoiando mais ativamente os esforços internacionais para tirar da crise os países da região. O governo norte-americano deve encontrar uma forma para revitalizar a política de livre comércio e, acima de tudo, a administração de George W. Bush tem de demonstrar que a América Latina tem importância para os EUA. Essas foram algumas das avaliações feitas em editorial pelo jornal britânico Financial Times na edição de hoje.Para o jornal, a América Latina está longe de retornar ao período de intervenção do Estado, protecionismo e financiamento do déficit. "Mas o aumento da pressão social está reduzindo a capacidade dos governos de manter a disciplina fiscal e monetária", afirma. Em muitos países, políticos defendendo políticas mais populares estão ganhando terreno.No Brasil, a maior economia da região, pode assistir a uma mudança aguda para esquerda nas eleições de outubro, diz o diário. Para o jornal, "tudo isso representa um desafio enorme para os Estados Unidos". O jornal enfatizou que os EUA "têm poder e influência e devem utilizar esses ativos para ajudar a preservar os ganhos da década passada".O jornal afirma que desde 11 de setembro, a América Latina caiu na lista de prioridades de Bush. Para o Financial Time, "a imposição de sobretaxas para as importações de aço e os subsídios agrícolas aplicados pelos EUA minaram a posição de políticos latino-americanos, que pregavam o livre comércio, tornando mais difícil para estes avançar com reformas pró-mercado contra interesses nacionais adquiridos".Não bastasse, equívocos diplomáticos minaram ainda mais a posição dos EUA. No mês passado, acrescenta o FT, o secretário do Tesouro Paul O´Neill assustou os mercados financeiros ao demonstrar que descartaria a possibilidade de ajudar o Brasil se os problemas econômicos do País piorassem, apesar do fato de que um acordo com FMI já havia sido estabelecido. "Reduções de fluxo de investimentos e prêmios maiores de risco político estão agravando as pressões externas, contribuindo para um crescimento menor e maior índice de desemprego em muitos países", afirma o editorial.

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