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Jornal paraguaio volta atacar ´imperialismo´ brasileiro

Jornal critica hidrelétricas binacionais com o Brasil e a Argetina; ao mesmo tempo, vice-presidente pede que Duarte Frutos mostre-se ´mais valente´ com Mercosul

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h26

Pelo segundo dia consecutivo o jornal ABC Color, o principal do Paraguai, acusou o Brasil de exercer "imperialismo" contra o país. Em um duro editorial que ocupou a totalidade da primeira página, o periódico afirma que as hidrelétricas binacionais de Itaipu, com o Brasil, e a de Yaciretá, com a Argentina, em vez de serem uma oportunidade para desenvolver as três economias, transformaram-se em um instrumento para que os dois grandes vizinhos tirassem proveito do Paraguai. Segundo o influente jornal, as "obras monumentais de Yaciretá e Itaipu" resultaram em um "abuso" ao Paraguai por parte da Argentina e do Brasil. O jornal não informa em sua reportagem quem financiou as obras das hidrelétricas.O ABC Color acusa as autoridades do próprio país de terem permitido os "vergonhosos acordos", ao longo das últimas três décadas, que implicaram na venda da parte paraguaia de energia elétrica em Itaipu com preços "trinta vezes mais baixos que o real". O periódico, de perfil conservador-nacionalista, sustenta que o Brasil e a Argentina agem "em cumplicidade" para realizar uma "infame exploração" do Paraguai. O jornal exige, com freqüência, a revisão dos acordos de preços e uma atualização substancial das tarifas aplicadas para a energia elétrica vendida ao Brasil.Segundo o ABC Color, o presidente Nicanor Duarte Frutos é um "entreguista". O jornal também faz um alerta: "se não forem tomadas medidas revisando as dívidas, tarifas, compensações, e principalmente, os injustos termos dos tratados que impedem que o Paraguai disponha dela (a energia hidrelétrica), a situação pode levar a conseqüências imprevisíveis".Síndrome de "pererî"Os empresários paraguaios voltaram, nesta sexta-feira, a destacar a posição de "pererî" ("fraco", em idioma guarani) do governo Duarte Frutos nas negociações do Mercosul. Os empresários da União Industrial Paraguaia (UIP) e de outras organizações consideram que o governo deveria assumir posturas mais "duras" contra os "abusos" cometidos "costumeiramente" pelo Brasil e Argentina.O próprio vice-presidente Luis Alberto Castiglioni, desafiou o presidente Duarte Frutos a "mostrar-se valente" perante os sócios do Mercosul. Castiglioni é conhecido por ser um defensor de abrir negociações com os EUA, de forma a conseguir um acordo de livre comércio passando por cima do Mercosul.Na quinta-feira, durante um encontro com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, a UIP sustentou que é preciso "firmeza e intransigência" para conseguir acordos com terceiros países ou blocos comerciais. Nos últimos dois anos lideranças empresariais em Assunção e Montevidéu pregaram a necessidade de realizar acordos comerciais diretos com os EUA e outros blocos comerciais, passando por cima do Mercosul."Não tenho uma visão idílica do processo de integração regional", admitiu Vázquez aos empresários paraguaios. "Não a tenho, mas tampouco sou fatalista. Sou consciente de seus problemas e não me resigno. O Uruguai não se resigna a esse Mercosul da retórica protocolar e das fotos oficiais", disse. Ao longo do ano passado, o governo Vázquez flertou com a possibilidade de realizar um acordo de livre comércio com os EUA. Por enquanto, essas negociações ficaram em banho-maria.ObjeçõesNo discurso de encerramento, o presidente Duarte Frutos afirmou que o Mercosul passa por um momento de significativas "objeções". Mas, disparou indiretas contra o Brasil e a Argentina ao admitir que "não faltam razões objetivas para seu questionamento". No entanto, o presidente paraguaio sustentou que "a dissolução do Mercosul seria um fracasso um retrocesso" e uma "idiotice". Duarte Frutos também disparou contra a existência de assimetrias econômicas e comerciais, que prejudicam o Paraguai e o Uruguai.

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