Jornalista lança 'Dinheiro, Deuses e Poder'

A história da humanidade nos últimos 2.500 anos, descrita no livro Dinheiro, Deuses e Poder, do jornalista Noenio Spinola, trata não só de numismática (ciência que estuda as moedas), mas também da evolução do pensamento econômico, de antropologia, de arqueologia e até de psicanálise. No prefácio do livro, lançado ontem na BM&FBovespa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comenta que a obra, abrangendo campos tão distintos, revela situações históricas e desvenda seus significados e motivações humanas, como a cobiça e a avareza.

Cley Scholz, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

O livro de 815 páginas (com remissão a um site na internet, que economizou outras 50 páginas) está ancorado numa coleção de moedas que o autor herdou do pai e o levou a interessar-se desde cedo pelo assunto e a fazer parte da Sociedade Numismática Brasileira. A coleção e outros documentos citados no livro foram reunidos numa exposição aberta ao público até 26 de agosto na BM&FBovespa, em São Paulo. A exposição é interativa e permite a busca de imagens e documentos em iPads disponíveis no local para os visitantes.

O autor, que já foi editorialista e correspondente do Estado em Moscou, dedicou-se ao livro nos últimos três anos, depois de trabalhar desde 1985 na BM&FBovespa como diretor de relações internacionais, superintendente de mercados agrícolas e responsável pelo conteúdo na internet. Além da própria coleção e dos documentos disponíveis na sua biblioteca especializada no assunto, Noenio fez centenas de entrevistas e visitas a bibliotecas. Entre os documentos importantes reproduzidos no livro está uma carta de 1939 do acervo confidencial do Arquivo Nacional dos Estados Unidos que comprova negociações de um representante do governo brasileiro, em plena 2.ª Guerra, para troca de café brasileiro por locomotivas do governo da Alemanha.

"É um livro apaixonante que conta como as moedas, mesmo em suas formas mais elementares, expressam símbolos e formas sociais de relacionamento, além de valores quantitativos", comenta Fernando Henrique Cardoso. "Esta dupla função, efetiva e simbólica, se manteve ao longo dos anos, mesmo quando o dinheiro perdeu materialidade ao circular nas redes eletrônicas." Nos capítulos finais, o autor descreve a economia contemporânea e os efeitos da crise financeira global iniciada em setembro de 2008, da qual o mundo ainda não saiu.

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