Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Jornalistas estrangeiros estranham decisão de Bolsonaro de não dar entrevista

Chefes de Estado costumam conceder entrevista coletiva quando participam do Fórum Econômico Mundial; discurso do presidente está marcado para esta terça-feira

Célia Froufe e Jamil Chade, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 14h24

DAVOS – Jornalistas de vários países têm questionado a imprensa brasileira sobre o motivo pelo qual o presidente Jair Bolsonaro não dará a tradicional entrevista coletiva que costumam conceder chefes de Estado e de governo quando participam do Fórum Econômico Mundial.

O presidente empossado em 1º de janeiro faz de sua participação no evento voltado para a elite financeira nos Alpes suíços sua primeira aparição internacional. Davos será, portanto, uma vitrine de Bolsonaro para o mundo. Ao chegar a seu hotel no vilarejo conhecido por sua estação de esqui, ele evitou a imprensa, entrando em seu hotel pela garagem.

A curiosidade em torno do presidente brasileiro é grande, principalmente num contexto em que grandes lideranças mundiais não comparecerão ao evento, que reunirá 3 mil pessoas. A programação oficial conta com um discurso do presidente amanhã, às 15h30 (12h30 de Brasília), que é bastante aguardado por causa da expectativa de que ele dê algum detalhe sobre o que pretende fazer na reforma da Previdência Social. Na Suíça, ele é acompanhado de cinco ministros.

O grande ponto entre os profissionais da imprensa é se a decisão de Bolsonaro tem relação com a crise envolvendo o seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O filho do presidente disse que não lhe foi concedida a oportunidade de esclarecer as movimentações atípicas às autoridades competentes antes que a investigação fosse aberta. Ele foi convidado a depor em 10 de janeiro, mas não compareceu justificando que queria ter primeiro acesso aos autos do processo.

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