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José Alencar questiona competência do BC sobre juros

Na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a manutenção ou não da Selic nos atuais 26,5% ao ano, o vice-presidente da República, José Alencar, contestou ontem à noite a competência do Banco Central (BC) na condução da política de juros do País. Ele voltou a fazer uma defesa enfática da redução da taxa básica. Durante palestra para prefeitos na abertura do 20º Congresso Mineiro de Municípios, Alencar afirmou que era preciso ver "a competência" do BC, que iniciou ontem a reunião sob pressão pela redução da Selic. "Nós precisamos ver a competência do Banco Central. É negociar direito isso", cobrou, se referindo à redução da taxa de juros como forma de dar competitividade aos produtos brasileiros."É como um vendedor de uma mercadoria nossa que é muito bom, todo mundo bate palma para ele, todos os clientes. Mas ele vende a mercadoria por um décimo do valor. Porque nós estamos pagando juros dez vezes maiores que os juros dos outros países com os quais nós estamos competindo. Como é que nós podemos competir no mundo globalizado com um custo de capital igual a dez vezes o custo de capital que vem dos países com os quais nós temos de competir, que são todos os países da Europa, os Estados Unidos e o próprio México", reclamou Alencar. "Isso é coisa a que nós temos de reagir", completou.Questionado mais tarde se estaria faltando competência ao BC, Alencar reafirmou a opinião. "Claro que está. Nós não podemos de forma alguma aceitar isso".O vice-presidente garantiu que ao fazer as críticas não estava indo contra a orientação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A orientação do Lula não é essa. A orientação do Lula é devolver ao Brasil condições de desenvolvimento, de geração de emprego, de trabalho para as pessoas, de distribuição da renda".Alencar classificou de "surrealista" a atual situação monetária do País e afirmou que o que cobra em público é dito em reuniões fechadas do governo federal. "Eu preciso é contar com a colaboração de toda a nação brasileira para ver se o Brasil acorda e não como cordeiro, ou então como boi no matadouro", afirmou.?Eu não posso me amedrontar?"É o óbvio ululante que o Brasil não pode ser compreensivo com esse tipo de política, porque isso vai nos matar a todos", disse. "Se amanhã eu não tiver coragem de dizer isso, então eu tenho de voltar para casa e pedir desculpas a vocês que me elegeram. Eu tenho 175 milhões de patrões aos quais tenho de dar satisfação. Então eu não posso, por exemplo, de forma alguma, me amedrontar".

Agencia Estado,

21 de maio de 2003 | 10h13

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