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José Roberto Mendonça de Barros
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Menor crescimento global deve reverter o super ciclo de alta de commodities

Parece que a grande festa das commodities tem hora para terminar, sobretudo para o petróleo

José Roberto Mendonça de Barros*, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2022 | 04h00

Nesta semana a invasão da Ucrânia pela Rússia completa cinquenta dias, ainda sem horizonte para terminar. 

A brutalidade sem fim já gerou uma catástrofe humanitária e uma enorme destruição. 

Mesmo que um cessar-fogo seja obtido em até 30 dias (do que não se tem ainda nem sinal), os custos do conflito já ocorridos e ainda a ocorrer, bem como a permanência das sanções por um longo período, levarão o mundo a uma brusca desaceleração do crescimento. 

Isso será resultado direto das crises de energia, de alimentos e de outras commodities, que mantêm acesas as pressões inflacionárias e a necessidade da consequente elevação nos juros, começando pelos Estados Unidos. 

Simultaneamente, o fechamento de regiões inteiras na China vai reduzir de forma relevante seu crescimento e contribuir para que os fluxos de oferta global sigam conturbados. O país crescerá menos que 5%.

A OMC abriu o caminho e reviu a expansão do PIB global para 2022, de 4,1% para 2,8%. Todas as grandes organizações deverão seguir essa tendência. 

O crescimento de 2023 será muito menor, com recessão em muitas regiões, o que pode atingir, inclusive, a Europa. O mesmo medo já incomoda vários analistas americanos. 

A menor absorção global deverá reverter o super ciclo de alta de commodities, especialmente no petróleo. É esperado que a produção irá se elevar em vários lugares, como nos Estados Unidos e no Brasil. Além disso, países como a Arábia Saudita têm certa capacidade ociosa. Menos PIB, menor a demanda de petróleo. 

No caso dos alimentos, dependemos muito do tamanho da safra de 2022 no Hemisfério Norte, dado que os estoques globais estão baixos. Com produção normal, os preços tenderão a desinflar um pouco, o que se reforça com o menor crescimento por todos esperado. 

Parece que a grande festa das commodities tem hora para terminar. 

* * * * *

Nos tempos ruins que vivemos, a perda de gente do bem se torna ainda mais triste. Duas destas figuras nos farão muita falta.

Dalmo de Abreu Dallari me ensinou muitas coisas. Dono de uma cultura exemplar, foi antes de tudo um Professor e um grande ser humano. Gente que sabe partilhar um bom vinho e uma boa refeição é de outra cepa. 

Cruzei com Eduardo Guardia muitas vezes em minha vida profissional e sempre admirei sua competência calma. Bom economista, melhor pessoa. 

Que pena! 

* ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS

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