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Jovem brasileiro faz sucesso com programa de recados anônimos

Filho de brasileira e criado nos EUA, garoto de 13 anos chama atenção de investidores e empresas no Vale do Silício

LIGIA AGUILHAR, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2013 | 02h05

Daniel Singer é fundador do aplicativo Backdoor, que tem ganhado popularidade entre adolescentes e chamado a atenção no Vale do Silício, berço das maiores empresas de tecnologia. Essa seria apenas a história de mais uma startup promissora dos Estados Unidos, não fossem dois detalhes: Daniel tem 13 anos e é brasileiro.

Filho de uma mineira e de um israelense, o adolescente nasceu e cresceu em Los Angeles, acompanhando as empresas de tecnologia da Califórnia. Aos dez anos, empolgado com games, começou a buscar tutoriais para criar seu próprio canal no YouTube. Aprendeu tanto sobre design e programação que desistiu do canal para se aprofundar na área. Aos onze, já participava de competições de programação.

Ao contrário de seus amigos, que gastam horas jogando Candy Crush ou Angry Birds, a diversão de Daniel é criar os próprios games e aplicativos. "Gosto de olhar o código do site das outras pessoas e aprender com eles", diz.

Em novembro do ano passado, lançou sua primeira empreitada, o site YouTell.com, em que o usuário faz perguntas e recebe respostas anônimas de amigos, familiares e colegas de trabalho. O site ultrapassou a marca de 2 milhões de usuários e serviu de inspiração para criar o aplicativo Backdoor, lançado em julho.

O programa permite enviar mensagens anônimas para a lista de amigos das redes sociais Facebook e Google Plus. Para descobrir o remetente, o destinatário recebe pistas sobre a pessoa até descobrir sua identidade. As primeiras dicas são gratuitas e as adicionais são vendidas em pacotes que vão de US$ 0,99 a US$ 1,99.

Quinze dias depois do lançamento, o Backdoor ficou entre os aplicativos gratuitos mais baixados da App Store norte-americana e já tinha mais de 500 mil interações. A mãe de Daniel, Roseli, ajudou a traduzir o app para português - Daniel diz que entende o idioma, mas não fala. Já o pai, Uri Singer, produtor de filmes em Hollywood, ajudou a criar a estratégia de marketing.

Para divulgar o app no Brasil, fizeram parcerias com celebridades como a cantora Sandy e os atores Fernanda Paes Leme, Giovanna Lancellotti e André Marques, que falam do produto nas redes sociais. Daniel não revela números sobre o sistema. Diz que não quer atrapalhar negociações com investidores.

Prodígio. Daniel passa a manhã e a tarde na escola. Quando chega em casa, cuida de suas empresas. "Não tenho uma rotina de trabalho. Meu escritório é no meu quarto", diz. Para dar conta da demanda, o jovem empreendedor contratou três programadores para ajudá-lo. Por enquanto, o Backdoor só tem versão para o sistema iOS, mas deve chegar ao Android.

O aplicativo chamou a atenção de empresas. Daniel diz ter tido duas reuniões no Google, além de conversar com outras companhias. "Se eu por um acaso for para a universidade farei ciência da computação, mas estou mais interessado em criar startups e explorar esse mercado", diz.

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