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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Jovem quer ter previdência privada e acesso aos lucros

Estudo mostra principais benefícios desejados por quem está há pouco tempo no mercado

/ C.M., O Estado de S.Paulo

31 de março de 2013 | 02h12

Na vida profissional, os principais objetos do desejo de jovens, além de bons salários, claro, são participação no lucros e resultados, previdência privada, subsídio para estudar e 14º salário.

Esses são os quatro principais benefícios que eles almejam, de acordo com pesquisa realizada pela consultoria Page Personnel com 2.500 trabalhadores na América Latina, incluindo o Brasil. De julho a setembro de 2012 foram ouvidos analistas, coordenadores e gestores com idades entre 20 e 30 anos.

O pacote dos sonhos dessa faixa de talentos ainda inclui carro oferecido pela companhia e ter ações da empresa onde trabalham (veja quadro abaixo).

Os resultados fazem parte do Mapa de Benefícios 2013 da Page Personnel, que atua no recrutamento especializado de profissionais de suporte à gestão e primeira gerência. A ideia é que o levantamento ajude organizações a fazerem uma espécie de sintonia fina entre o que elas oferecem e o que os trabalhadores gostariam de receber, já que essas complementações são uma estratégia de atração e retenção de pessoal qualificado.

De acordo com o diretor executivo da Page, Roberto Picino, os benefícios são uma maneira de mensurar a sensação de pertencer a uma empresa, de se sentir parte importante dela.

"Sempre que se avalia a retenção de pessoas numa empresa, sabe-se que o ambiente, a relação com o trabalho, a sensação de fazer parte do negócio, a relação com o próprio chefe têm um peso muito grande. E há uma maneira de racionalizar tudo isso por meio dos benefícios", diz.

Além da sensação de se sentir reconhecido e de pertencer à companhia, a questão financeira é parte importante do tema. A vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Eliane Saad, lembra: "Aquilo que não se gasta, se ganha".

Então, se a pessoa tem um carro oferecido pela empresa, uma bolsa de estudos, auxílio farmácia, alimentação, não está gastando e está incorporando esses valores ao salário. "Outra coisa, é que muito desses benefícios acabam não tendo impostos incidindo sobre eles. Então, sai mais barato para o profissional tê-los do que receber em salário nominal. Compensa para ele e para a empresa também, porque há incentivo fiscal quando ela remunera em benefício", acrescenta.

"Às vezes, a somatória de tudo que a pessoa recebe em benefícios representa de 25% a 30% de aumento no fixo", diz Picino. Embora admita que benefícios não são necessariamente fator de mudança de emprego, ele insiste que a participação nos lucros é a melhor maneira de espelhar o compromisso, a motivação e a responsabilidade de o profissional fazer parte de algo maior.

O vice-diretor de educação executiva do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Vicente Antonio de Castro Ferreira, chama a atenção para a importância dada pelos entrevistados à ajuda da organização para estudar. No caso de profissionais de finanças, 70% consideram importante esse apoio.

Ganho potencial. "É interessante, porque normalmente as pessoas estão buscando ou salário ou salário potencial. Por exemplo, podemos considerar como remuneração a participação nos lucros e resultados, porque é uma forma de valorizar o ganho. Previdência privada também é um tipo de remuneração e veículo é outro", diz. "E o que aparece aí no meio é a remuneração potencial, que é o treinamento, a educação. Na verdade, em alguns casos, acaba sendo mais efetivo em termos de incremento da renda ao longo da carreira de executivo do que os outros itens", acrescenta.

O professor também ressalta que a importância dada ao estudo pelo pessoal de finanças. "Talvez seja a área na qual a formação técnica seja mais importante. Nela, como em todas, o bom senso, a percepção e a habilidade de trabalhar em equipe são extremamente importantes para a carreira do executivo, mas a formação é realmente algo que o distingue, e talvez isso até apareça como um valor maior", afirma.

De acordo com Castro Ferreira, esse segmento tem um desenvolvimento técnico mais rápido e mais constante. "Então, o profissional que não está constantemente se reciclando, fica desatualizado mais cedo."

O vice-diretor avalia que a questão da formação tem a ver, também, com a estratégia de carreira do executivo. "Aqueles que estão apostando mais no longo prazo, dão mais valor a ter a formação subsidiada pela empresa. E executivos que estão com um viés um pouco mais de curto prazo, talvez valorizem um pouco mais os outros benefícios".

A diretora de negócios da consultoria de transição de carreira e desenvolvimento profissional LHH/DBM, Irene Azevedo, defende que a empresa responsável pela bolsa ou subsídio tenha uma política adequada de cobrança do profissional. "O problema é a empresa dar a bolsa e a pessoa não estudar, não passar nas disciplinas e não se sentir comprometida."

Picino acrescenta a importância de o trabalhador escolher o programa de estudo adequado, porque, diz, o curso tem de fazer sentido para a companhia também. "É uma rua de mão dupla. A formação é obrigação da pessoa, a empresa é um canal facilitador", diz Irene. "É interessante que haja uma contrapartida por parte do funcionário, ou que ele contribua financeiramente, nem que seja com pouco", defende a diretora.

O líder da Page acredita que, para haver menos separação entre vida pessoal e profissional, o trabalho também deve fazer sentido financeiramente. "O profissional tem de estar mais seguro pelo entorno, pelos benefícios. Ele tem de fazer parte. E hoje o poder de negociação está tanto na mão da empresa quanto do trabalhador. Então, se não há benefícios, não há atração nem retenção."

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