Guillaume Bertrano/Reuters
Guillaume Bertrano/Reuters

Jovens entram em conflito com a polícia francesa

Vândalos se misturaram aos grupos de protesto que se espalharam por várias regiões do país. Veículos, lojas e até escolas foram incendiados e depredados

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

Jovens de Nanterre, Argenteuil, Lyon, Mans e Paris desafiaram ontem a polícia em mais uma dia de protestos contra a reforma da previdência na França. Munidos de paus e pedras, vândalos se misturaram a estudantes e incendiaram uma escola, destruíram automóveis, depredaram lojas e o mobiliário urbano em diferentes pontos do país.

Segundo dados da União Nacional de Estudantes Secundaristas (UNL), 1,2 mil escolas foram parcial ou totalmente bloqueadas, de um total de 4,3 mil.

O prenúncio de que a sexta jornada de protestos seria violenta veio logo cedo. Em Mans, moradores de um bairro de classe média baixa foram acordados às 5h com a notícia de que a escola Val d"Huisne estava sendo incendiada. Os indícios apontam que a ação foi criminosa. Não houve vítimas. Cerca de 210 alunos estão sem aulas.

Com o avanço da manhã, embates ocorreram em outras regiões, como em Nanterre. Próximos à escola Joliot-Curie, cerca de 200 jovens iniciaram os tumultos por volta das 9h30. Durante duas horas, atos de vandalismo se alternaram com ataques aos 400 policiais.

O confronto transformou a Avenida Pablo Picasso e a Praça do Mercado em campos de batalha. Por volta das 14h, com o aumento da presença policial, os vândalos - ou casseurs, "quebradores" na expressão francesa - se dividiram, perdendo força.

Em Lyon, o tumulto teve início por volta das 10h em pleno centro, quando entre 300 e 400 jovens entraram em atrito com a polícia. À tarde, na Praça Bellecour, cerca de 40 veículos foram incendiados. Lojas tiveram as vitrines quebradas. Dos 75 jovens presos, 50% seriam menores de idade e 30% teriam passagens pela polícia.

Paris. Por volta de 15h, jovens se desligaram da passeata sindical e provocaram depredações em torno da Avenida de Gobelins. "Eles não são nem sequer estudantes e estão no meio da multidão para fazer tumulto", reclamou Laura P., 18 anos, estudante de Medicina que participava da passeata.

A ministra da Justiça, Michèle Alliot-Marie, garantiu que os jovens responderão por seus atos. "É preciso firmeza. Há o direito de greve. Mas não há o direito de promover quebra-quebras."

Intelectuais e imprensa tentam entender quem são os casseurs. Para Henri Rey, diretor de pesquisa do Centro de Estudos Políticos de Sciences Po (Cevipof), de Paris, qualquer comparação com as revoltas de 2005 ou com Maio de 1968 é precipitada. "Apesar da semelhança dos seus atos, a diversidade social dos casseurs é muito maior do que em 2005. Há membros das comunidades escolares também", garante. "Não são só jovens de periferia que estão usando máscaras. Não são apenas marginais."

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